sexta-feira, 30 de junho de 2017

Duplo aniversário!

Petrov Baltar presidente da FPbX
O botafoguense José Máario com os irmãos Sá Melo.
Hoje, 30 de junho, dois nomes ilustres do xadrez paraibano, estão aniversariando. São eles, Petrov Ferreira Baltar, atual presidente da Federação Paraibana de Xadrez, e o médico José Mario Espínola. Os parabéns deste blog, na certeza de que ambos continuarão contribuindo para o desenvolvimento do xadrez tabajarino!

O jogo do mistério

Por CLÁUDIO FIGUEIREDO
(Jornal do Brasil - Idéias livros
Rio de Janeiro - Sábado, 29 de outubro de 1994)
(Do Arquivo de Jeová Mesquita hoje pertencente a Fernando Melo)

Ficção
O JOGO DO MISTÉRIO


O que o xadrez, jogo tão rigorosamente cerebral, pode ter em comum com a literatura? Que sedução pode exercer sobre os escritores, supostamente, mais ocupados com a emoção é com o imprevisível? Muitos, no entanto, intuíram que os caminhos por onde passa o xadrez nem sempre são tão retos quanto as linhas de um tabuleiro. O escritor inglês Chesterton já dizia "poetas não enlouquecem; jogadores de xadrez sim". A publicação dos romances O quadro flamengo, do espanhol Arturo Pérez Reverte e A variante Lüneburg, do italiano Paolo Maurensig prova que os elaborados movimentos de uma partida podem servir de tema e modelo de tramas intrincadas.

Até hoje não se sabe exatamente quando e onde o jogo surgiu. Uma das versões dá a Índia como seu berço. De lá teria imigrado para a Pérsia e, através dos árabes, para a Espanha. De qualquer forma sua origem misteriosa serve de pretexto para fábulas como a citada no livro de Maurensig. Histórias que têm um sabor típico de Borges, autor, alias, de um poema sobre o assunto. Nele, uma partida aparece como um ritual que, uma vez em movimento não pode mais ser detido. "Cuando los jugadores se havan ido/ Cuando el tiempo los haya consumido/ Ciertamente no habrá cesado el rito". Borges especula também que nem só as peças são manipuladas, "También el jugador es prisionero (...) de otro tablero / de negras noches y de blancos dias / Dios mueve el jugador, y este, la pieza / Que dios atras de Dios la trampa empieza".

Não é a toa que o xadrez tem servido, ao longo de séculos, de tema para metáforas e alegorias. Ao pesquisar as origens do jogo, estudiosos enxergaram nele um certo simbolismo numérico e até alusões à Astronomia. O xadrez estimula também divagações metafísicas. E não só da parte de poetas, mas até de enxadristas. Quando o russo Boris Spassky disse que o xadrez  era como a vida, o temperamental Bobby Fischer o desmentiu: o xadrez era a própria vida. 

No Brasil, o jogo entrou no mundo da literatura através do romance A variante Gutemburgo, publicado em 1977. Nele, o escritor Esdras do Nascimento atribuiu aos homens a posição das peças pretas, e às mulheres as brancas. Quando as peças se movem para frente, a ação avança no tempo. Quando recuam, a ação volta ao tempo. E quando as torres fazem um movimento lateral, o tempo fica suspenso. Membro do Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro, Esdras no momento esta jogando simultaneamente 89 partidas. Todas por correspondência. Cada uma delas costuma durar cerca de um ano e meio. A paciência, segundo ele, não é a única virtude comum ao xadrez e à literatura: as duas atividades "exigem tanto um sentido para a composição quanto ousadia e imaginação". O escritor vai mais longe: "Quem não joga xadrez não pode escrever um romance".

Que rigor intelectual não era incompatível com a imaginação e até com humor foi provado pelo reverendo Charles Lutwidge Dodgson, mais conehcido como Lewis Carroll. Além de matemático, o autor de Alice no país das maravilhas tinha uma atração toda especial por enigmas. Nele, Alice descobria, do outro lado do espelho, um país estranho, que se estendia sobre um enorme tabuleiro, onde ela e os personagens da história contracenam segundo a lógica de uma partida.

O xadrez também está no centro do romance A defesa, publicado ainda em russo, em 1930, por Vladimir Nabokov, em Berlim. O próprio autor chama a atenção para o fato de que este era seu livro que emitia "mais calor": "o que pode parecer estranho, considerando-se o quão supremamente abstrato é considerado o xadrez". O herói do romance, o russo Luzhin, um campeão de nível internacional, rememora sua turnés evocando não as paisagens ou estações, mas os ladrilhos dos diferentes banheiros dos hotéis. "Aquele chão com quadrados brancos e azuis onde, de seu trono, descobriu e lobrigou continuações imaginárias da partida decisiva em andamento. Nabokov procurou dar "à descrição de um jardim ou uma viagem a aparência de uma partida disputada com talento e, especialmente nos capítulo finais, de um bem ordenado ataque de xadrez demolindo os elementos mais profundos da sanidade mental do pobre sujeito" - seu infeliz herói.


A Bird está em alta!

Por FERNANDO MELO

Carlsen jogando a Bird contra Kramnik
O meu amigo paulista MI Antonio Carlos de Resende deu ontem uma das melhores notícias do ano para mim! Sabem o que foi o que ele me falou? Ah! Vocês vão gostar de saber, principalmente aqueles que acompanham minha peregrinação, devoção e paixão mesmo pela pobrezinha da Abertura Bird! Eu disse pobrezinha? Coisa nenhuma! A Bird agora é uma senhora Bird. Já imaginou o atual campeão mundial, o "Gênio da Noruega", o maior ELO da história do xadrez, o Grande Mestre Magnus Carlsen começar uma partida contra o ex-campeão mundial Vlademir Kramnik jogando 1.f4! Estou falando sério! E vamos provar agora tim-tim-por- tim!

Começando pelo e-mail do MI Antonio Resende, que diz: 
"Parabéns Fernando Melo! Carlsen jogou sua abertura 1.f4. Bird. E Kramnik não jogou 1. ...e5, Gambito Froom, considerada a refutação. Sinal que tem novidade teórica no Gambito Froom; Abs. Antonio Carlos de Resende."

Agora vamos nos deliciar com a partida que já estou quase decorando!

A partida foi jogada no torneio de rápidas, torneio esse realizado na cidade  de Leuven, Bélgica, no período de 28 de junho a 2 de julho do corrente ano, com 10 jogadores e 150 mil dólares em prêmios.

Não tenho certeza se Carlsen tenha jogado 1.f4 antes. Quero acreditar que foi a primeira vez. Ele usou nessa partida com Kramnik a variante que fianqueta o bispo do rei. Interessante que na partida de Fischer contra Smyslov, em 1970, Bobby também fianquetou o bispo do rei, mas fianquentou também o bispo da dama. Eu, que só jogo a Bird, não costumo fianquetar nem um dos dois bispos. Gosto de ter meu bispo do rei a ponto de bala de olho na casa h7, por isso quando posso ele vai para d3. Mas eu não sou Fischer nem muito menos Carlsen. Afinal, como discípulo de Don Quixote, o que vocês poderiam esperar de mim?  

A partida conta com 44 lances. Quando ocorre a troca das damas, nos lances 26 e 27, Carlsen logo consegue ficar superior por deixar seu peão de - a - passado. Outro momento que gostei na partida, foi no movimento 32. ...Be2. Carlsen, que para o principiante, deveria tomar este bispo, não o faz. O seu lance 33.Cd7 é bem melhor.

Muito bem, o leitor interessado em ver a partida, consulte o Chessgames.com. Ela é a de número 2549. E por falar nisso, lá vou eu rever a partida...! É isso, a Bird está em alta!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Doriedson reforça xadrez campinense!

Doriedson e Evandro, em primeiro plano, com Paulo e Rafael,
ao fundo, na Sucaçaí: xadrez campinense mostra seu vigor!
Não há dúvida de que o xadrez de Campina Grande é um dos mais valorosos do Nordeste, com jogadores respeitados na região, por seu destacado nível técnico. 

Sem querer desmerecer todos os outros Estados dessa parte da Federação (até mesmo por não conhecermos com profundidade a realidade do seu xadrez), supomos que esse time de Campina Grande, ao se somar com aquele de João Pessoa, formado por outros enxadristas também bastante competitivos, faz da Paraíba, candidata a apresentar o melhor xadrez do Nordeste! 

Talvez Pernambuco possa estar um pouco na frente, mas não nos surpreenderia se, num match entre as principais forças desses Estados vizinhos, a Paraíba pudesse sair vitoriosa. 

Naturalmente que somos suspeitos em fazer essa avaliação, mas o objetivo é nobre, por buscar, acima de tudo, o bom combate entre o xadrez nordestino, que tem se mostrado vigoroso  nos últimos anos, com grandes competições e torneiros regulares em praticamente todos os seus Estados.

Ivson x Paulo! Assistem Doriedson, Jovany, Tejo e Thiago!
E quanto à "rivalidade" entre Campina Grande e João Pessoa? Quem tem o melhor xadrez? Difícil cravar uma resposta... Lá tem Paulo Barbosa, Evandro Rodrigues, Rafaell Wanderely, Ivson Miranda, Jovany Medeiros, João Tejo, Fabson Palhano, Thiago Ribeiro, dentre outros. Aqui tem Francisco Cavalcanti, Luismar Brito, Douglas Torres, Rondinelle Pessoa, Luiz Antônio Tomaz, Renato Oliveira, Arthur Olinto, e mais alguns. 

Ocorre que no momento, Campina Grande parece marcar um tento, ao "comprar o passe" de um dos mais destacados jogadores de João Pessoa! É que Doriedson Lemos fixou residência por lá, "desfalcando" o time da capital e "reforçando" a equipe interiorana!

Guardadas as devidas proporções, tal fato faz-nos lembrar de mudanças famosas entre rivais no futebol, quando, por exemplo, Bebeto, anos atrás, trocou o Flamengo pelo Vasco, o que, aliás, foi bem traumático para nós rubro-negros!

Exageros à parte, o fato é que torcemos pelo sucesso de Doriedson Lemos, esteja ele onde estiver, pois se trata de um dos nossos melhores enxadristas e, certamente, candidato à maestria no futuro próximo. 

A propósito, nas fotos que ilustram esta matéria vemos que o novo integrante do xadrez campinense motivou ainda mais o seleto grupo de jogadores locais, que comparecem para participar de partidas de blitz na Lanchonete Sucaçaí, de propriedade de Evandro Rodrigues, principal "point" do xadrez daquela cidade.

Ficamos realmente animados com a vitalidade do xadrez campinense, que reflete, claro, a força do nobre jogo na Paraíba. 

E se você pensou num match entre João Pessoa e Campina Grande, para definir quem é o melhor, devemos dizer que esta seria mesmo uma ótima ideia! De nossa parte (assim como não poderíamos torcer para Bebeto no time rival), aqui também, excepcionalmente, não esperaríamos triunfos de Doriedson, pois estaríamos ao lado, claro, do time pessoense!

Tudo isso, em verdade, não passa de um boa provocação! Aliás, sabemos todos que, nesse movimento, temos apenas um único vencedor: o xadrez paraibano!

Carlsen joga a Bird!

Por FERNANDO MELO

Eu já gostava de Carlsen  ...! Sou um homem de sorte! É verdade. Foi o MI Antonio Carlos Resende (SP)  quem me avisou e até me deu parabéns, que aceitei de bom grado e feliz da vida. É verdade! Magnus Carlsen jogou 1.f4! E no e-mail, Resende diz algo interessante.

Uma partida entre vítima e carrasco

Por JAIR FERREIRA DO SANTOS
(Jornal do Brasil - Ideias  livros - Rio de Janeiro - Sábado, 29 de outubro de 1994)

(Do Arquivo de Jeová Mesquita hoje pertencente a Fernando Melo.)
Nota: As fotos são de arquivo e não constam na reportagem original (FM)

Ficção

Uma partida entre vítima e carrasco
Crime cometido na Viena dos anos 70 leva o jogo de xadrez disputado em um campo nazista. 

O xadrez entrou para o imaginário popular como um duelo de tabuleiro entre inteligências prodigiosas - falando russo de preferência. Raciocínio analítico em alto grau, máxima concentração e nervos de aço forjariam a alma dos seus campeões. Mas que tal se esse jogo valesse antes por uma dramatização da vida como da morte, se a paixão que desperta pudesse evoluir para a loucura ou tocar a experiência mística? E se ele ainda, por excluir o acaso e responsabilizar somente o jogador, se prestasse a encenar as perversões da História, revelando por fim certa afinidade com o crime?

Paolo Maurensing
É com esses ingredientes aparentemente extravagantes para o leigo que foi escrito o belo e compacto A variante Lüneburg, romance de estréia de Paolo Maurensing, um agente comercial  italiano de 50 anos cuja personalidade, no mínimo intrigante, abriga tanto a compulsão pelo xadrez quanto o pendor para o esoterismo com dedicação não menor ao violoncelo. Ano passado o livro permaneceu várias semanas em primeiro lugar na lista dos mais vendidos na Itália e, entre polêmicas nem sempre lúcidas, acabou por arrebatar quatro prêmios importantes no contexto literário italiano.

Pequeno mas saturado de material explosivo, o romance começa pelo fim, isto é, pelo assassinato de Dieter Frisch, diretor alemão de uma revista de enxadrismo, em sua casa na Viena dos anos 70. Na verdade o crime é o lance final de uma série tempestuosa de partidas disputadas ao longo de décadas. no tabuleiro e fora dele, entre Frisch e Tabori, este um judeu misterioso, como um mago, que no último jogo se fez representar por seu filho adotivo Hans. Mas é na sequência de penúltimas partidas, jogadas no campo de concentração de Bergen-Belsen (região de Lüneburg) durante a Segunda Guerra Mundial, que vem à luz a face trágica do texto, pois Tabori é forçado por Frisch, então oficial no campo, a fazer uma aposta macabra, algo equivalente ao descrito por William Styron em A escolha de Sofia.

A variante Lüneburg no entanto não se esgota na história de uma rivalidade alimentada pela obsessão nem na vingança da vítima contra seu carrasco. Entre os fatos de Viena e os de Lünebrug, Maurensig coloca o (pode-se dizer) insólito mundo do xadrez, e assim vamos encontrar nas capitais da Europa Central uma galeria de grandes mestres irreverentes, maníacos, catatônicos, ao mesmo tempo que a psicologia do enxadrista avança para uma mistura de jogo. Ilustrada com alusões a mitos e seitas orientais, a iniciação de Hans por Tabori envolve até mesmo labirintos percorridos numa Viena mais ou menos secreta, tendo como centro simbólico um tabuleiro capaz de provocar descargas de energia puramente espiritual, conforme a intensidade com que se movimentam as peças. Para isso, porém, é preciso que a atenção analítica, o ver além do olhar, atinja uma acuidade liberadora e fatal semelhante à ascese.

O xadrez não é propriamente um filão literário, é mais um espaço para aventuras eventuais que já atraiu gente como Lewis Carroll, Nabokov e o soporífera Parkinson Keyes, com uma biografia romanceada do mestre americano Paul Morphy, e no Brasil deu margem à tentativa de Esdras do Nascimento com Variante Gotemburgo, cada um explorando à sua maneira a metáfora básica Vida = Jogo. O que distingue o livro de Mauresing é a sua complexidade por baixo de uma superfície plana, polida, definida por seu estilo intenso mas sem lirismo, A possessão provocada pelo jogo não é meramente intelectual; ela mobiliza o corpo e o destino dos personagens, faz com que suas vidas se pareçam com a lógica obscura desencadeada por um lance e seus efeitos. E traz para primeiro plano, no lugar da razão, a paixão, permitindo-lhes experimentar tanto uma vertigem espiritual fora da normalidade quanto o terror frente ao que há de violento e mortal na História.

Com A Variante Lüneburg, o xadrez pode passar a ser visto como um combate muito além da inteligência - escrito bastante bem em italiano.

Brancas jogam - 2


A resposta é
1.Rh5 ! "As brancas têm que ceder o peão de h7 para poder ativar o Rei."
Parabéns ao mestre Francisco Dantas, considerando que suas análises estão corretas!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Brancas jogam ...


... e ganham!
A resposta será dada em breve!

Como os russos mantêm o xadrez mundial

Por BOBBY FISCHER

(NOTA: A vasta documentação sobre xadrez que pertenceu ao saudoso amigo, economista e ex-Delegado da Receita Federal, Jeová Mesquita, e que sua viúva gentilmente nos cedeu, irá aos poucos sendo mostrada  aos nossos leitores. Entre a documentação, encontrei este artigo (datilografado em duas folhas) de Bobby Fischer.)

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O Torneio Internacional de Candidatos de Xadrez que terminou em 20 de junho, em Curaçao, deixou-me uma convicção: o controle russo do xadrez atingiu um ponto onde não pode haver competição honesta pelo campeonato mundial. O sistema apresentado pela Federação Internacional de Xadrez, órgão dirigente do xadrez mundial, assegura que haverá sempre um campeão mundial russo porque só a Rússia pode vencer o torneio preliminar que determina seu desafiante. Os russos preparam bem aquele caminho. No que me diz respeito, eles podem conservar aquele caminho. Eu jamais jogarei novamente nesses torneios.

Disseram-se que isto é uma decisão dura de tomar, porque significa perder toda  esperança de ganhar o título mundial. A verdade é que desde que o atual sistema existe nem eu nem ninguém mais de um país ocidental podemos ganhar o título. Assim a decisão não é tão dura de ser tomada, mas é difícil de explicar. A razão disto é que eu disse alguma coisa sobre o domínio russo desta parte do xadrez - ou algo que algum jogador ocidental disse - é no sentido de parecer um álibi por não termos derrotado os russos no torneio de Curaçao.Algum derrotado explicando porque nós não podemos vencer o campeonato mundial, ou argumentando que a organização tornou impossível para nós competir com os russos em igualdade de condições, parece ditada principalmente por alguma amargura. Já se disse que não há no controle russo do xadrez internacional senão poucas vitórias asseguradas por outros.

Bem, eu agora conheço melhor. Eu comecei a jogar xadrez há 11 anos passados, quando eu tinha oito anos de idade. Em 1959 classificando-me para o Torneio de Candidatos, realizado aquele ano na Iugoslávia, O vencedor enfrentaria Botvinnik pelo campeonato mundial. Havia oito jogadores no torneio, sendo quatro deles russos. Por sorte eu terminei em quinto lugar, logo atrás dos quatro russos. Nos três anos antes deste Torneio de Candidatos acontecer, eu joguei contra os russos em cada oportunidade que me foi dada. Nesses pequenos torneios eu derrotei todos os russos que encontrei na Iugoslávia (e enfrentaria novamente em Curaçao) ou fiquei na frente deles nos torneios em que entramos - em Estocolmo, por exemplo, aonde eu venci o torneio por 2 1/2 pontos, ou em Bled, Iugoslávia, onde eu derrotei os quatro russos de 3 1/2/ a 1/2, isto é, eu venci três e empatei uma das minhas quatro partidas com os russos naquele torneio.

No entanto, entre 1959 e 1962 o domínio russo no Torneio dos Candidatos tornou-se muito maior que antes. Eu Curaçao foi flagrante. Havia um acordo aberto entre os jogadores russos. Previamente, eles concordaram empatar as partidas jogadas contra si próprios. Cada vez que eles empatavam eles davam, um ao outro, meio ponto. O vencedor do torneio, Petrosian, obteve 5 1/2 pontos dos 17 1/ 2 obtidos por ele, através este caminho. Eles consultavam-se durante os jogos. Quando eu jogava com os adversários russos, os outros russos espervam minhas partidas e comentavam sobre minhas jogadas de modo a só ajudar meu adversário. Os russos trabalhavam como um team.

A atual confusão no xadrez internacional vem desde o fim da guerra. Em março de 1946, Alexandre Alekhine, que tinha sido o campeão mundial, foi encontrado morto em Lisboa, e não houve um procedimento correto para a escolha do seu sucessor. Naqueles dias passados, os próprios campeões decidiram qual deles disputaria o título e havia alguma deslealdade nisso, porque um campeão poderia recusar anos a fio de jogar contra um desafiante forte. Geralmente, a dúvida tinha relação com dinheiro: se  houvesse dinheiro bastante, disputar-se-ia um match. Poderia ser injusto naquele época, mas, no final, era até lógico. Agora você pode disputar um match.
   

terça-feira, 27 de junho de 2017

Torneio de Remígio - Atenção para as inscrições!

As inscrições para o I Torneio de Xadrez Cidade de Remígio, sob a direção de Joaquim Virgolino, seguem abertas e terão valores diferenciados até o próximo dia 30, após o que serão alterados, conforme folder abaixo. O pagamento pode ser feito através de depósito na seguinte conta:

Caixa ou Lotéricas
Agência 0737 - Op. 013 - Conta 22.482-0
Favorecido: Joaquim Virgolino da Silva Filho

O torneio acontecerá no dia 6 de agosto, no ritmo de xadrez rápido e com R$ 1.600,00 em prêmios. 

Confira mais informações neste link.


Saudades de Fischer

Por FERNANDO MELO

(NOTA: Artigo escrito originalmente em junho de 1996, no jornal A União, época em que Bobby Fischer ainda era vivo.)

Certa vez o dr. Luiz Tavares, médico pernambucano já falecido e que amava verdadeiramente o xadrez me disse, com uma voz educada e serena, que Robert Fischer, a despeito de que muitos pensavam, não era um mercenário. Podia ser um perdulário.

Sempre considerei Fischer o melhor jogador do mundo, na minha geração. O que ele fez na década de 60 e começo da de 70 foi muito mais do que Kasparov fez na década de 80 e continua fazendo na atual década. Para mim, Fischer tem uma importância muito grande. Não posso esquecer os seus feitos, tanto dentro como fora do tabuleiro. Com certeza ele foi a pessoa que mais contribuiu para a popularidade do xadrez.

A sua conduta excêntrica e suas poucas ortodoxas ações, lhe deram fama de extravagante. Mas esse seu comportamento era em favor do xadrez.

"É difícil encontrar um homem que seja mais devoto no xadrez que Bobby. Quando lhe perguntei se tinha muitos amigos, Bobby invariavelmente respondia que todos aqueles que amam o xadrez...", diz  Eduard Gufeld, um grande mestre russo que conheceu Robert Fischer e que muito o respeitou e respeita.

Sobre a questão de Fischer não ser mercenário, como me disse dr. Luiz Tavares, vejamos o que afirma Gufeld.

"Recordo quando um jornalista estrangeiro perguntou a Bobby com falta de tato: ´Bobby o que é mais importante para ti, o xadrez ou o dinheiro?` Fischer me olhou e então deu as costas ao jornalista. As exigências financeiras de Fischer aos organizadores produziram a impressão de uma excessiva ganância de sua parte. Mas não era tão assim.Em minha opinião, o dinheiro para ele não tinha um papel primordial. Julgue o leitor por si mesmo. Antes de começar seu match com Spassky (pelo título mundial em 1972), Fischer já estava prevendo que os prêmios (120 mil dólares) subiriam ao dobro. Possivelmente seu pensamento era que dobrando os prêmios também se dobravam a importância do match (e talvez a importância do próprio xadrez). O dinheiro não era tão importante para ele e várias vezes depois do match, Fischer recusou um contrato de 10 milhões de dólares para emprestar seu nome a um anúncio publicitário¨.

Fischer - continua Gufeld - estava obcecado com a ideia de aumentar o prestígio do xadrez e o dinheiro na América é a coisa mais importante, pelo que ele desejava obter melhores prêmios para os enxadristas jogarem em melhores condições.

Nas Olimpíadas de Lugano ele abandonou esta prova em nome dos seus princípios. "Este salão não é para o xadrez. Se não melhoram as condições, não jogarei aqui." E foi embora. Os eventos subsequentes provaram que ele tinha razão. Ao final da competição, muitos grandes mestres expressaram que as condições haviam sido insuportáveis. Naquele tempo, as competições enxadrísticas suportavam, entre outras coisas, barulho, multidão e cigarro. Atualmente, a atuação melhorou bastante. Com certeza o crédito é para Robert Fischer.

É importante que a geração atual e as futuras gerações de enxadristas conheçam a verdade sobre o décimo primeiro campeão mundial de xadrez. Sua vida dignifica a arte de Caíssa. Fischer nunca pode ser esquecido pelo que ele fez em favor do xadrez. Nunca é demais repetir isso.

domingo, 25 de junho de 2017

Sabia que Kramnik ...?

Você sabia que Vladimir Kramnik, que hoje completa 42 anos, o homem que tomou o título mundial de Kasparov e de Topalov, foi campeão mundial Juvenil, no Brasil, em 1991? Isso mesmo.

sábado, 24 de junho de 2017

Os 70 anos de Asfora!

MF Marcos Asfora
Por FERNANDO MELO

O xadrez do Nordeste vive hoje um dos seus melhores dias ao comemorar os 70 anos do MF Marcos Asfora, decano do xadrez de Pernambuco e uma grande figura humana. Falar de Asfora é para mim motivo de satisfação, principalmente num dia como o de hoje. Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, um dos maiores jogadores do xadrez postal que o Brasil conheceu, já tendo sido campeão nacional. Detentor de maior numero de finais de Brasileiro e também autor da partida mais longa jogada no país, ao vivo.

Tudo isso ainda é pouco, se não falarmos do Asfora como ele realmente é. Me refiro ao seu espírito de defensor do desenvolvimento do xadrez em Pernambuco e no Nordeste, onde exerce conhecida liderança e carisma. Como falar do consagrado Torneio Nordestão sem lembrar Marcos Asfora?

Conheço Asfora desde 1976, já estive com ele várias vezes e sempre o encontrei a mesma pessoa. Torneio que Asfora participa tem um brilho especial, porque ele, apesar de não muito falante, cativa facilmente as pessoas, pelo simples fato de ser respeitado por todos por sua longa história de amor ao xadrez.

Como se não bastasse, Asfora tem agora a iniciativa feliz de homenagear os dois maiores nomes da história recente do Xadrez de Pernambuco: Dr. Luiz Tavares e Eduardo Asfora! O Torneio que começa no segundo fim de semana de julho próximo, vai certamente reunir um grande número de enxadristas da região. E desde já, registro, com satisfação, um fato que deve acontecer e que é raro: estarão presentes 4 diretores da Confederação Brasileira de Xadrez, o GM Darcy Lima (presidente) o AI Antonio Bento, e os MF Marco Asfora e Maximo Macedo (todos vice-presidentes).

Estaremos lá, com uma boa delegação de paraibanos. A convite de Asfora, farei a abertura com um breve discurso sobre os dois homenageados.

Estou feliz, ao poder parabenizar Asfora por tudo que ele tem feito pelo xadrez e hoje, especialmente, pelos seus bem vividos 70 anos!   

Frase do dia

É um erro profundo imaginar que a arte da combinação depende apenas do talento natural e que não pode ser aprendida.  RETI 
(Fonte Chessgame.com)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O herdeiro de Bobby Fischer!

Por FERNANDO MELO

GM Samuel Sevian (EUA, 16 anos.
Ontem cedo, por volta das 6 da manhã, conversei com Bobby a respeito do jovem Samuel Sevian. Ele me disse que estava sabendo, então falei que já o considerava seu herdeiro. Ele sorriu e disse: Por sua conta e risco. E logo desapareceu. Então vai assim mesmo. Já que Bobby não assumiu, eu assumo!

Afinal, quem é esse tal de Samuel Sevian?

Bem, ele acaba de vencer o Campeonato das Américas, o conhecido Continental, que foi realizado em Medellin, Colômbia, nos dias 9 a 16 do corrente mês, em 11 rodadas (ritmo de jogo: 90 minutos para os primeiros 40 lances, mas 30 minutos para terminar a partida, com 30 segundos de incremento por movimento). Foram jogadores de 19 países das três Américas ( Colombia 143, Venezuela 16, Brasil 14, Peru 13 e Costa Rica 12 representantes foram as maiores delegações), com 29 Grandes Mestres, sendo o maior ELO o de GM Eduardo Iturrizaga (Venezuela-2663) e o mais baixo, do GM Gildardo Garcia (Colômbia 2396), contando ainda com 1 WGM, 42 MIs, 9 WIMI, 43 MF, 11 WMF, 12 CM e 6 WCM. No total, tivemos 256 participantes.

Samuel Sevian, de origem arnênia, é o GM mais jovem da historia dos Estados Unidos, já que conquistou esse desejado título aos 13 anos de idade! Segundo Leontxo Garcia, ele é a maior promessa dos Estados Unidos na atualidade!

Para se ter uma ideia da força de Sevian, quando ele tinha 14 anos, jogou o Campeonato do seu pais, e terminou em 5º lugar entre 12 participantes. O detalhe importante é que ele empatou com o campeão e com o vice (Nakamura e Robson) e venceu o terceiro lugar (So W)!

Venho pesquisando mais sobre Sevian, pois estou acreditando muito no seu potencial e vou ficar de olho nele com mais frequência. Mas gostaria de encerrar este artigo com uma partida primorosa em que ele venceu para o temível Alexei Shirov, jogado na Suécia, ano passado. Os últimos lances me deixaram emocionado!
Sam aos 13 anos e já era Grande Mestre!

Sam aos 9 anos

"Há muitos jovens americanos muito promissores nos dias de hoje, mas um que continua surgindo no Jogo da Semana é San Sevian. Ele tem um estilo ousado e agressivo, que é provável que produza jogos emocionantes, e quando você o combina com Alexei "Fire on Board" é uma combinação combustível. No Hasselbacken Open em Estocolmo, Sevian estava pronto para a difícil abertura de Shirov, sacrificando um peão para uma boa compensação. Quando Shirov sacrificou o peão de volta - e depois uma torre para uma boa medida - as coisas ficaram realmente selvagens".

A. Shirov - S. Sevian

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.d4 ed 4.Cd4 Cf6 5.Cc6 bc 6.De2 Bb4+ 7.c3 Be7 8.e5 Cd5 9.Dg4 Rf8 10.De4 d6 11.c4 Cb6 12.Dc6 Tb8 13.Cc3 Bb7 14.Db5 Cd7 15.ed Bd6 16.Dg5 f6 17.Dh5 De7 18.Be2 Bg2 19.Tg1 Be4 20.c5 Cc5 21.Tg7 Rg7 22.Bh6+ Rg8 23.0-0-0 Bg6 24.Bc4+ Ce6 25.Dh3 Rf7 26.Cb5 Tb2 27.Rb2 Tb8+ 28.Bb3 Be5+ 29.Cc3 c5 30.f4 c4 31.f3 cb 32.a4 Cc5 33.ef Dc7 34.Td4 Td8 35.Td8 Dd8 36.De3 Dd6 37.Cb5 Cd3+ 38.Rb1 Ce5 39.Rb2 Cd3+ 40.Rb1 Cf2+d. 41.Rc1 Dd1+ 42.Rb2 Cd3+ 43.Ra3 Da1+ 44.Rb3 Db2+ 45.Rc4 Db4+ 46.Rd5 Be4+ (0-1)   

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Frase do dia

Todo o segredo da arte da guerra reside na capacidade de se tornar mestre na arte da comunicação.  
Napoleão (Chessgame.com)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Fier brilha no Continental!

Fier, em foto do seu Facebook, comemora sua
classificação para a Copa do Mundo!
O GM brasileiro Alexandr Fier conseguiu sua 5ª classificação seguida para a Copa do Mundo de Xadrez, que, este ano, vai acontecer em "sua casa", no mês de setembro, em Tbilisi, na Geórgia, local onde Fier mantém residência. Sua participação no Continental da Colômbia foi mesmo notável! Foram 11 rodadas, nas quais Fier obteve 4 vitórias iniciais, seguidas de 5 empates, após o que sobreveio 1 vitória e, na última rodada, 1 empate contra o GM Eduardo Iturrizaga (COL - 2663), o pré-ranqueado número 1 da prova e melhor Elo FIDE da América do Sul, na atualidade! Com essa campanha invicta, Fier terminou a prova na 9º colocação, com 8 pontos, e garantiu lugar, junto com mais 5 jogadores com igual pontuação, na disputa pela última vaga da Copa do Mundo, ainda em aberto, na ocasião. Todos partiram para o torneio de desempate, no ritmo de 15'+10''. Após as 4 rodadas iniciais, Fier somava 3 pontos (2v, 2e) e dividia a liderança contra ninguém menos do que Iturrizaga! E qual era o confronto da tabela na última rodada? Exatamente Fier x Iturrizaga! Uma legítima decisão pela última vaga da Copa do Mundo! Deu Fier! Assim, o brasileiro terminou invicto também no torneio de desempate, coroando de extremo êxito sua participação no Continental e garantindo vaga de mais um brasileiro no cobiçado evento internacional da Geórgia, que terá ainda o GM Felipe El Debs, classificado no Zonal 2.4, ocorrido em Florianópolis, no último mês de abril. Foi mesmo um torneio brilhante de Fier, que, certamente, guardará na memória esse seu grande feito em terras colombianas! Confira aqui a partida final de desempate entre Fier e Iturrizaga, obtida do site do GM Rafael Leitão. Parabéns a Alexandr Fier por essa brava conquista e muito boa sorte na Copa do Mundo!

Brasileiros no Continental

GM Samuel Sevian (centro) 16 anos,
vencedor do Continental 2017
Tivemos 12 participantes do Brasil na XII edição do Continental deste ano, na Colômbia e que contou com 256 jogadores. Na classificação geral, o vencedor foi o norte-americano GM Samuel Sevian (2601) que somou 8,5 pontos em 11 possíveis. 

Vejamos a relação dos brasileiros:


GM Alexandr Fier
09 - GM Alexandr Fier - 8,0
21 - GM Krikor Mekhitarian - 7,0
46 - MI Roberto Molina - 7,0
47 - MI Cesar Umetsubo - 7,0
73 - MF Alvaro Aranha - 6,5
80 - MI Renato Quintiliano - 6,5
104 - MF Luismar Brito - 6,0
126 - Milton Okamura - 5,5
133 - MF Martins Madeira - 5,5
149 - WMF Suszana Chang - 5,0
229 - Elias Moises - 3,5
232 - MF David Borensztain - 3,5


OBS: O paraibano MF Luismar Brito perdeu 23,6 pontos no seu ELO, e o carioca MF David Borensztain foi o que mais perdeu: 77,4 pontos. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Poema Xadrez

Por Selma Araújo

É um jogo antigo na história
Que nos faz parar, calcular e pensar
Muito bom para ativar a memória
Pra toda idade, para o cérebro ativar.

Minha gente experimente jogar xadrez
Você nunca mais vai querer parar
É um jogo que todo mundo tem vez
É bom para o raciocínio ...
Estimula o cérebro que ameaça parar.

domingo, 18 de junho de 2017

Citação do dia!

"A arma mais poderosa no Xadrez é ter o próximo movimento!" - David Bronstein 
(Fonte: Chessgames.com)

Perder para aprender!

Não é balela, é fato. Um dos jogadores mais respeitados da história do xadrez, chama-se José Raul Capablanca. Pois bem, vejamos o que ele disse:
"Nenhum livro ou professor pode, por si só, ensinar a jogar. O livro, como o mestre, só pode assinalar o caminho a seguir. O estudante, por sua parte, tem que concentrar todo o seu esforço e atenção possíveis. A prática e a experiência farão o mais. Os que desejam adiantar devem sempre estar dispostos a jogar e a perder. Em geral, aprende-se mais nos jogos que se perdem do que nos jogos que se ganham".

Livro, gênio e máquina!


II Ativo Junino 2017


Participantes, dirigentes e convidados do II Ativo Junino 2017 no Clube de Xadrez Miramar

Foi realizado na tarde de sábado passado. no Clube de Xadrez Miramar, o II Torneio Ativo Junino 2017, com a presença de 16 jogadores, no sistema suiço de 6 rodadas com 15 minutos nocaute. O torneio, que contou com a direção de Fernando Melo, arbitragem de Fabiano Andrade de Araujo e coordenação do MF Francisco Cavalcanti, teve como vencedor Jailson Maranhão, que somou 5,5 em 6 pontos possíveis. Completaram o pódium. Ednaldo Moreira com 4,5 e Genivaldo  Oliveira com 4 pontos. Todos receberam medalhas,
Os demais classificados foran:  4/5 - Luciano Galdino e José Mario Espínola, 4 pontos; 6/9 - Edson Loureiro, Claudionor Henriques, Genildo Gomes e Petrov Baltar, com 3,5 pontos; 10/11 - Alexandre Teixeira e Felipe Guedes, com 3 pontos; 12/13 - Waldemiza Gurgel e Mirra Mariana com 2 pontos/ 14/15 - Eny Nobrega e Severino Targino, com 1 pontos; 16 -Túlio Santos não pontuou.
O Clube de Xadrez de Miramar está de parabéns. Estivemos presente e sentimos a evolução de providências necessárias para o bem estar dos frequentadores, entre sócios e convidados. Parabéns à primeira dama do Clube, Lili Cavalcanti, pelo diversificado lanche que ofereceu aos participantes, como também parabéns pela excelente arbitragem de Fabiano Andrade. O dirigente MF Francisco Cavalcanti me confidenciou que está providenciando o banner do Clube.
Lembramos que no próximo fim de semana o Clube estará fechado por conta das Festas Juninas, voltando ao normal no próximo dia 30, sexta-feira.  (FM) 
MF Francisco Cavalcanti com o Pódium
Jailsosn Maranhão recebe a Medalaha de Ouro
Ednaldo Moreira a de Parata
Genivaldo Oliveira a de Bronze

sábado, 17 de junho de 2017

Aronian vence o Norway Chess!

Fonte: site oficial do evento


Terminou nesta sexta-feira o Altibox Norway Chess, na cidade de Stavanger, no norte da Noruega. Celebrado como um dos maiores torneios da história do xadrez, o evento contou com 10 dos 12 jogadores melhores ranqueados do mundo, chegando a ser planejado para receber os Top Ten da FIDE, mas as variações do Elo até o início do evento, fez com que 2 dos participantes não ocupassem a dezena dos primeiros lugares do xadrez internacional. Ainda assim, o Elo médio atingiu a incrível marca de 2797 (!), um número realmente magnífico, que impressiona a nós outros, meros mortais do reino de Caíssa. 

Foram distribuídos 249.000 euros, distribuídos entre todos os 10 participantes, cabendo 70.000 euros para o campeão, 40.000 euros para o vice-campeão e 25.000 euros para o terceiro lugar.

Como não podia deixar de ser, a competição foi equilibrada, com nada menos do que 76 empates, em 90 partidas jogadas! Contudo, não se pode dizer que não houve luta, pois, segundo o Regulamento do torneio, não era permitida a oferta de empates entre os contendores, o que levava as partidas para a definição do resultado no próprio tabuleiro.

O campeão foi o armênio Levon Aronian, que confirmou a boa fase, sagrando-se campeão invicto, com 3 vitórias e 6 empates, somando assim 6 pontos em 9 possíveis. Não custa lembrar que Aronian também vencera em abril último o também estelar evento Grenke Chess Classic, na Alemanha. 

O outro invicto da prova da Noruega foi Wesley So, que empatou nada menos do que todas as suas 9 partidas! Nakamura terminou em segundo lugar, com 5 pontos e Kramnik em terceiro também com 5 pontos.

O destaque negativo foi, sem dúvida, o anfitrião e atual campeão mundial, Magnus Carlsen! Principal estrela do evento - aparecendo inclusive em destaque no folder oficial do torneio, em meio aos outros ilustres participantes - o norueguês não atendeu as expectativas, mesmo depois de vencer de forma categórica o certame prévio de blitz, que serviu para definir as posições do torneio principal de clássico. Nesse evento inicial, Carlsen somou incríveis 7,5 pontos em 9, abrindo 2 pontos de vantagem para Nakamura e Aronian, segundo e terceiro, respectivamente. 

No evento principal, todavia, o campeão mundial, que recentemente vem usando um óculos nada discreto, amargou apenas a penúltima colocação, voltando a repetir o fiasco do Norway Chess de dois anos atrás. Ele perdeu 2 partidas, empatou 6 e venceu apenas uma, contra seu rival mais recente na luta pelo título mundial, o russo Karjakin. Não deixa de causar furor, o fato de que os atuais campeão e vice-campeão do mundo ocuparam as duas últimas posições do torneio! 

A propósito, afora Wesley So, que como vimos empatou todas, Karjakin foi o único que não conheceu o sabor da vitória nesse torneio de estrelas do xadrez mundial.

Sobre as partidas, vale destacar a vitória de Aronian sobre Carlsen, na quarta rodada, que vem sendo cotada para a melhor partida do ano! Com sacrifícios de material e lances precisos, o armênio superou o norueguês, cuja resistência rigorosa também contribuiu para valorizar ainda mais esta bela produção enxadrística. Confira aqui a partida, extraída do site do GM Rafael Leitão.

Em decorrência do resultado final do Altibox Norway Chess 2017, Carlsen perdeu pontos no Elo e, mesmo mantendo a liderança do ranking mundial, vê seus adversários aproximarem-se perigosamente dele. Se considerarmos apenas esse evento, temos Carlsen agora com 2822 pontos, seguido de perto por Kramnik (2811), Wesley So (2810), Aronian (2809) e Caruana (2806). 

A seguir, mostramos a classificação final do torneio.

Fonte: Site Chessbase

sexta-feira, 16 de junho de 2017

História dos Interzonais

Por FERNANDO MELO

Um dia, talvez em outra reencarnação, eu venha a escrever um livro que fale dos Torneios Interzonais, Seria prazeroso lembrar com detalhes o Interzonal de Palma de Mallorca (Espanha) 1970, o de Manila (Filipnas) 1976, para citar apenas dois de tantos outros.

GM Davod Bronstein ganhou Inerterzonal em 1948 e 1955
Tudo começou em 1948, com o Primeiro Interzonal - Salfsjobaden (Suécia), ganho por David Bronstein, com 13,5 pontos em 19 possíveis. 

O Segundo Interzonal foi realizado em Estocolmo (Suécia), em 1962, e o vencedor foi Alexander Kotov, com 16,5 pontos em 20 possíveis.

O Terceiro Interzonal teve a cidade de Gotemburgo  (Suécia) no ano de 1955; O russo David Bronstein somou 15 pontos em 20 possíveis e foi o vencedor.

O Quarto Interzonal foi no ano de 1958, em Portoroz (Eslovênia), com Miguel Tal saindo-se vencedor com 13,5 pontos em 20 possíveis.

O Quinto Interzonal realizou-se em Estocolmo (Suécia), ganho por Bobby Fischer no ano de 1962. e somou 17,5 pontos em 22 possíveis.

O Sexto Interzonal foi realizado em Amsterdam (Holanda) no ano de 1964, tendo Bent Larsen como vencedor, que somou 17 pontos em 23 possíveis.

O Sétimo Interzonal teve como sede a cidade de Sousse (Tunísia) em 1967, e mais uma vez Bent Larsen foi o vencedor, com 15,5 pontos em 21 possíveis.

  (CONTINUA)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O legado de Eduardo Asfora!

Por FERNANDO MELO

Os caissianos de Pernambuco certamente estão orgulhosos do legado deixado pelo saudoso Eduardo Asfora. Não tive a felicidade de conhecê-lo, mas me inspiro na personalidade do seu sobrinho MF Marco Asfora, para sentir o quanto aquele deixou para este a herança de um xadrez competitivo, responsável e produtivo. O sobrinho seguiu os passos do tio com honra e dignidade.

E aqui lembro, com sinceridade, o trabalho de Fernando Sá, na Paraíba, e de Igor Macedo, no Rio Grande do Norte, que da mesma forma honram e dignificam a herança dos seus pais, já que os "velhos" estão mais para jogar do que mesmo dirigir, transferindo esta missão para os mais "novos".

Eduardo Asfora era odontólogo e nasceu na cidade do Recife no dia 5 de agosto de 1924, vindo a falecer aos 65 anos, no dia 8 de novembro de 1989. Pontificou no xadrez nacional nas décadas de 50, 60 e 70, sendo vice-campeão brasileiro nos anos de 1950, 1962 e 1971, e 15 vezes campeão do seu Estado.

Segundo seus contemporâneos, Eduardo Asfora nas partidas de blitz, "tirava leite de pedra e sua seta nunca caía".

Acredito que o seu maior feito foi sua vitória  no PanAmericano de 1971, em Tucuman, Argentina, frente ao GM Miguel Najdorf. 

Escrevendo este artigo, me veio à lembrança o maior tribuno da Paraíba, o saudoso campinense Raymundo Asfora, primo de Marco Asfora. Certa vez, na minha juventude, assisti a um comício político na Lagoa, que estava lotada. Naquele tempo não tinha televisão e os comícios em praça pública eram uma festa popular de muita aceitação. E a certa altura, num rasgo de amor à sua terra, disse Raymundo Asfora, de forma pausada e firme: "João Pessoa, Campina Grande não tem inveja de tí!", e os aplausos emocionados do povo eclodiu por alguns instantes, coroando de glória o orador da tribuna!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Momento histórico!

Vai ser difícil esquecer esse momento, em que com a seta caindo, jogava com o universitário potiguar Jonnas Nikolas  a última partida da última rodada do Aberto de Natal, na tarde do dia 4 (domingo) de junho de 2017; Minha posição era perdida, mas como tinha a Dama ativa e o Rei branco exposto, fiquei dando xeques seguidos, até que meu tempo acabou. (FM)

A presença de Ivson!

Por FERNANDO MELO

Com as negras, Ivson  empata com Rodolfo pela 2ª rodada. .
A Paraíba pode se orgulhar de sua participação nesse 43º Campeonato Brasileiro de Xadrez 1976. Além de Frank Lins, legítimo representante de nosso Estado há quase uma década, temos agora o Ivson Miranda dos Santos, de Campina Grande, mas que agora está residindo em João Pessoa, onde estuda Medicina. Com apenas 19 anos de idade, Ivson já levantou vários títulos. Duas vezes campeão de Campina Grande, jogou o Paraibano ano passado e ficou em quinto. Este ano veio para ganhar o Campeonato, terminou como Vice, porque Frank ainda é o melhor. Agora jogando o Brasileiro, Ivson apresenta uma campanha que deixa a todos a impressão de que a Paraíba brevemente terá um outro campeão além de Frank.

Na primeira rodada, Ivson enfrentou o campeão brasileiro juvenil, Jaime Chaves, de São Paulo, e terminou em empate. Na segunda rodada o seu adversário é o temível Rodolfo Araujo, várias vezes campeão pernambucano e vencedor do Zonal Nordeste deste ano. Ivson mais uma vez não conhece a derrota. Empata com Rodolfo, perdendo qualidade!

A terceira partida enfrentou o jovem mineiro Roberto Pimenta, campeão do Zonal Centro. Parecia que alguma coisa estava para acontecer. Ivson arma um forte ataque na ala do Rei e investe suas peças com muita confiança. Pimenta não resiste e no 42º lance abandona. Ivson conseguiu assim uma vitória marcante.

E atenção meus caros leitores, Ivson acaba de vencer o Messias Lopes, da Bahia!

E mais uma vez, de forma brilhante, Ivson marca sua presença neste Campeonato Brasileiro. Desde já desafiamos a Federação Paraibana de Xadrez para considerar na lista de revelação deste Campeonato, o paraibano Ivson Miranda.

Com esta vitória Ivson conquista 3 pontos, e até a noite do último dia sete, estava junto com Herman Claudius, campeão paulista, em primeiro lugar.


terça-feira, 13 de junho de 2017

Sergipe sedia Regional de Xadrez Escolar

Nos dias 29 e 30 de julho, no Hotel Orion, em Aracaju (SE), vai acontecer o Regional Nordeste de Xadrez Escolar, promovido pela CBX, com organização da Federação Sergipana de Xadrez e arbitragem do AR Marcelo Menezes Silva. O evento é aberto a todos os estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Região Nordeste, cadastrados na CBX, porém sem a obrigatoriedade de estarem em dia com a anuidade da entidade nacional. A competição, em 5 rodadas, será disputada no ritmo de 15’+5’’ ou 20’ KO, nas categorias masculino e feminino, divididas também por ano escolar (1º ao 9º Ano do Ensino Fundamental e 1º ao 3º Ano do Ensino Médio). O torneio será válido para rating CBX e vai ofertar, por categoria, troféu para o campeão, além de medalhas para os 2º e 3º colocados. Haverá ainda troféus para as três melhores Escolas que obtiverem melhor desempenho geral. Todos os participantes devem portar relógio e jogo de peças. Para mais informações consulte a página oficial do evento (link).

Jogo de Xadrez reduz penas de presos!

(Artigo publicado no site do TJ-PA, em 22/05/2017)

Um projeto que ensina xadrez a um grupo de 20 detentos do regime semi-aberto, na Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel do Pará, complexo penitenciário de Americano, na Região Metropolitana de Belém, traz uma novidade no âmbito da execução penal no País: a possibilidade de redução de pena para os que participam das aulas. A cada 12 horas de estudo, os detentos reduzem um dia de pena. E como poderão também, após o curso, participar de competições na modalidade, a cada dia de competição são menos 12 horas de pena.
Três deles, selecionados em certame interno, participarão do II Torneio Aberto do Brasil do Clube de Xadrez da Cidade Velha, competição internacional que ocorrerá no Hotel Beira Rio, em Belém, nos dias 7, 8 e 9 de julho, com o apoio da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer (Seel) do governo do Pará.
A expectativa é de que o torneio reúna em torno de 50 competidores, com a participação de mestres de porte internacional e jogadores amadores do País e do Estado.
Juiz titular da 4ª Vara Criminal de Belém, Flávio Leão elaborou a tese jurídica que embasa o projeto “Prática Desportiva do Jogo de Xadrez como Meio de Remição de Pena”. Fundamentada na Lei de Execução Penal (LEP) e em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a proposta enquadra, por analogia, o curso de xadrez no escopo das exigências previstas na LEP, que prevê a remição por meio do trabalho e da frequência em curso regular educacional.
TESE
“Há decisões do STJ que permitem a remição pela leitura e pela prática de esportes. O xadrez é esporte e é leitura, porque obriga a ler textos teóricos que te ensinam a jogar melhor, textos que a gente vai distribuir pra eles durante o curso. Se estão jogando xadrez, estão praticando esporte, estão lendo ao mesmo tempo, então por analogia tu podes aplicar o código das execuções penais sobre o trabalho e a frequência num curso regular”, resume o magistrado.
A tese jurídica foi apresentada ao juiz titular da Vara de Execução Penal, João Augusto de Oliveira, que a aprovou e expediu portaria validando o curso e estabelecendo as regras para a remição das penas.
O Clube de Xadrez da Cidade Velha, dirigido pelo juiz Flávio Leão, apresentou o projeto, que recebeu o apoio da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e da Seel. “A tese jurídica fui eu que fiz, eu e o professor José Wilson, que é professor de matemática, funcionário da Susipe, e o professor Orlando Souza, da UFPA”, informa o juiz, professor voluntário do projeto piloto, que dá aulas de xadrez três vezes por semana aos detentos na Colônia Penal.
O curso foi aberto a todos presos do semi-aberto, na Colônia Agrícola, onde a filosofia do regime é de auto-disciplina e auto-responsabilidade, não há grades, muros ou presença ostensiva da PM. “Se ele sai é considerado foragido e se for preso, regride para o fechado”, observa o juiz.
O magistrado explica que nada impede que, no futuro, avaliada essa primeira experiência, o curso seja aplicado também aos presos do regime fechado. “A gente pode aplicar também no presídio feminino”, cogita o juiz, para quem a vantagem do xadrez, reconhecida em âmbito mundial, é que ele permite a ressocialização da pessoa. “A gente que é enxadrista sabe que é um jogo que transforma a vida da gente, que estimula o respeito ao adversário, onde tu não agrides, a não ser no tabuleiro, com os ataques, mas tu tens que respeitar teu adversário; às vezes eu comparo o xadrez com um processo judicial, onde um advogado tem que prever qual vai ser a jogada do outro advogado, da outra parte, e aqui também tens que prever duas ou três jogadas adiante, o que exige estratégia e cálculo”.
EXPECTATIVAS
Fábio Alex, 45 anos, três meses na Colônia Agrícola, avalia o curso de xadrez como uma oportunidade a mais pra ele encurtar o tempo de prisão. “Entrei na remição pela leitura e agora estou aproveitando o xadrez pra agilizar minha volta pra casa, pra família. Quero começar a minha vida novamente, com a família, com a sociedade, eu trabalhava com comércio”, diz ele.
Lucas Rodrigues da Silva, 19 anos, há dois meses na Colônia Penal, diz que o curso é a oportunidade de um reencontro com o xadrez, que ele começou a jogar quando tinha 12 anos. “Só que eu tinha dado um tempo, né, tinha parado, que eu me meti no crime, e agora voltei a jogar de novo” disse ele, que foi preso por homicídio. A expectativa para quando sair “é trabalhar, cuidar do meu filho e, se eu tiver tempo, ainda, jogar xadrez de novo”, promete.
Jônatas dos Santos Sousa, 25 anos, dois meses na Colônia Agrícola, já cumpriu um ano e meio de uma pena de oito anos, por tráfico, e avalia que o xadrez é mais um aprendizado para ajudá-lo até o ano que vem, quando ele aguarda a progressão para o regime aberto. “Voltar de novo pro mundão, né? Tô nessa expectativa aí, tenho meu filho pra cuidar.”
Luiz Gustavo Pinto do Nascimento, 27 anos, nove meses na colônia penal, aguarda ser transferido para o regime aberto em agosto, porque foi aprovado pelo Sisu para o curso de licenciatura plena em geografia do IFPA e irá para a Casa do Albergado, em Val-de-Cans, para frequentar as aulas em Belém. “Eu não jogava xadrez, eu sabia alguma coisa, mas nunca tive a oportunidade de jogar. A expectativa é a melhor possível, porque o xadrez expande a mente, você acaba tendo rapidez no raciocínio, ajuda na memória e também tem a remição, então é muito bom”, resume.
Daniel Marques, 33 anos, 40 dias na Colônia Penal, foi condenado por assalto e avalia mais essa oportunidade de remição como um meio de “ir embora mais cedo, não ficar muito tempo aqui”. “Eu tenho três remições: o xadrez, a da escola e eu trabalho aqui na acerola, faltam mais quatro meses e eu tou indo embora, já. Pretendo mudar minha vida, arrumar um trabalho, quando eu fui preso não tinha um emprego fixo, quando eu sair daqui, quero ter um emprego fixo, eu trabalho com música, sou DJ de boate, eu tava desempregado, por isso que eu me envolvi em assalto”, relata.
Fonte: Coordenadoria de Imprensa
Texto: Edir Gaya, com informações de O Liberal
Foto: Ricardo Lima

Um discurso para a História

Por FERNANDO MELO

Confesso que hoje, 13 de junho de 2017, 11 horas de uma terça feira, estou escrevendo uma das mais importantes páginas deste blog. Movido pela emoção, ciente da responsabilidade e fiel aos meus princípios, quero dizer que o discurso que vamos conhecer, proferido por um dos homens mais inteligentes que conheci, o meu saudoso amigo Gildemar Pereira de Macedo, é um marco na História do Xadrez da Paraíba.

Aos amigos que me conhecem e que acompanham esse blog e a coluna de xadrez no jornal Correio da Paraíba, há mais de 10 anos, sabem da minha paixão por Caíssa. E digo com toda a certeza que nesta hora, ela, nossa deusa, está feliz por trazermos ao conhecimento dos enxadristas esse discurso de Gildemar!

Portanto, fico feliz por essa iniciativa. Sei que amigos fieis, e muitas vezes generosos, vão se emocionar, principalmente aqueles que viveram aquela época, no já distante ano de 1976. Vamos ao discurso.

DISCURSO DE GILDEMAR
Salão de Convenções do Hotel Tambaú
Noite do dia 3 de julho de 1976

Gildemar Pereira de Macedo
"Quando em 1973 um pequeno grupo de enxadristas fundava a Academia de Xadrez Caldas Vianna, pouco se praticava o nobre jogo na Paraíba. Os antigos ases do tabuleiro haviam requerido aposentadoria ou, pelo menos, licença prêmio. Já ia longe as memoráveis campanhas de Fernando Marinho, Romero Peixoto, Herul Sá e Jeová Mesquita, entre outros.

De atuante mesmo, tinhamos apenas as jogadas gloriosas do talentoso Frank Lins e a abnegada devoção de Bento da Gama. De resto, um reduzido grupo comparecia à blitz do Clube Cabo Branco, onde se exercitava um jogo de forma empírica e simplória, sem Nimzovitch, sem Roberto Grau, sem Pachman, sem Dagostini sequer.

Mas a Caldas Vianna vinha predestinada. Arregimentavam-se os principiantes ... organizaram torneios ... reacendeu-se a chama do Clube de Xadrez da Paraíba ... os veteranos atenderam à convocação ... e alguns volveram à atividade com a disposição de quem pretende recuperar o tempo perdido, como que num agradecimento à Deusa Caíssa pelo milagre da reativação dos pendores adormecidos.

O Campeonato Paraibano veio a revelar dentre os jovens, verdadeiras vocações enxadrísticas, dentre os quais merecem citação Expedito Medeiros, Fernando Melo, Ivson Miranda, Luismar Brito e Dacio Lima.

O diapasão da arrancada nos propiciou p ensejo de patrocinar o Zonal Nordeste. Foi nesta oportunidade  que tivemos a felicidade de conhecer a figura extraordinária do campeoníssimo Pinto Paiva. E foi aí que a Bahia conquistou o coração da Paraíba, através dos lances magistrais e do magnetismo pessoal desse fenomenal jogador.

Daí por diante a nossa luta passou e torno da esperança de realizarmos aqui o campeonato nacional. Conseguimos a palavra da Confederação Brasileira de Xadrez, através do inesquecível presidente Washington de Oliveira, cuja memória o Brasil inteiro tem o dever de reverenciar.

Mas ainda nos faltava quase tudo. A grandiosidade do porte deste conclave não se poderia conter nos estreitos limites de verba tão insignificante como a que nos foi deferida. Felizmente a sensibilidade do Governador Ivan Bichara, que em tão boa hora conduz equilibradamente os destinos do Estado, atendeu aos nossos apelos. A PB-Tur arregaçou as mangas e tomou a si a responsabilidade promocional do acontecimento, ao impulso do presidente Amir Gaudêncio e dessa maravilhosa equipe de promotores do turismo paraibano.

E que se registre por um imperioso dever de justiça, o apoio do Secretário Marcelo Lopes, da Indústria e Comércio, do Secretário Tarcísio Burity, da Educação, e do Prefeito Hermano Almeida, da Capital, da imprensa de quase todo o país, e, sobretudo, de A União, único jornal do país a manter diária e ininterruptamente uma coluna especializada sobre xadrez.

Mas, até que enfim, o sonho da Academia Caldas Vianna se transforma em realidade. O colosso do Hotel Tambaú se converte no firmamento em que podemos contemplar o brilho dos mais expoentes astros do enxadrismo nacional.

A Paraíba se transforma por alguns dias na capital enxadrística do Brasil.

Entretanto, meus senhores, apesar desse momento ornado de glória, a caminhada do xadrez brasileiro ainda é longa e difícil. É preciso mudar a consciência brasileira em relação ao xadrez. É imperioso que se consiga a obrigatoriedade do ensino de xadrez nas escolas, apoiados na certeza científica de que se todo órgão vivo se desenvolve pelo exercício, o cérebro sistematicamente exercitado haverá de desenvolver-se também.

É preciso atrair as atenções do empresariado nacional para as imensas potencialidades promocionais do xadrez.

É necessário mudar a escala de repartição do bolo de verbas destinadas aos desportos, onde o xadrez é contemplado em escala milesimal".