terça-feira, 26 de julho de 2016

Fischer no US Champ - 2

Bobby Fischer em foto de 1958
Por Fernando Melo

Depois de ter ganho invicto o Campeonato dos Estados Unidos de 1957/58, Bobby Fischer repete a dose ao vencer o de 1958/59, com 6 vitórias e cinco empates, num total de 12 jogadores, somando assim 8,5 pontos em 11 possíveis. Desta vez foram 12 participantes, sendo que no antetior foram 14.Em segundo veio Samuel Reshevsky, com 7,5. Fischer foi o único que não conheceu a derrota.

Das cinco partidas em que jogou de brancas, Fischer saiu em todas com seu preferido 1.e4. Com as negras, jogou seis vezes, e das vezes que enfrentou 1.d4, defendeu-se sempre com a India do Rei. Fischer sempre foi fiel às suas aberturas e defesas preferidas. Só a título de ilustração, ele jogou uma vez a Bird, 1.f4, contra Smyslov, num torneio de Blitz, e ganhou. Fischer nunca jogou 1.d4! Muito raro isso no Grande Mestre!

Neste campeonato em questão, os irmãos Byrne (MI Donald e GM Robert) jogaram, diferentemente do Campeonato anterior, quando não participaram, e ambos empataran suas partidas com Fischer. Ao longo da carreira de ambos, Fischer jogou sete vezes contra Donald Byrne, tendo vencido cinco e empatado duas. Já com Robert Byrne, Fischer venceu duas, perdeu uma e empatou seis vezes. Robert morreu em 2013 aos 84 anos, enquanto Donald, dois anos mais novo do que o irmão, morreu em 1976, aos 45 anos. (CONTINUA)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Ednaldo ganha Paul Benko!

Ednaldo(E), Jailson e Tomaz (sentados)

Foi realizado no último sábado, no Clube de Xadrez Miramar, sob a direção do MF Francisco Cavalcanti, o Torneio Ativo Paul Benko, com 15x15. Participaram 20 jogadores e o vencedor com 4 pontos em 5 foi Ednaldo Moreira, seguido de Jailson Maranhão e Luis Antonio Tomaz, também com 4 pontos. Os demais participantes foram: 4/6 - Antonio Dutra , Leandro Henrique, José de Anchieta com 3,5; 7/10 - Genildo Gomes, Francisco Arivânio, Fagner Dantas, Ubirajara Barros, com 3 pontos; 11 - Felipes Guedes, 2,5; 12/15 - Claudionor Henriques, Emerly Gomes, Erivaldo Nascimento e Emilly Priscila, com 2 pontos; 16/20 - Eny Nobreha, Fabiano Andrade, Manasses Trajan, Mirra e Tulio Santos, todos com 1 ponto.


domingo, 24 de julho de 2016

Fischer no US Champ

Por Fernando Melo

Bobby Fischer ainda não usava terno  
A partir de hoje vamos contar para vocês como foi a participação de Bobby Fischer no Campeonato dos Estados Unidos. Ele jogou oito vezes e oito vezes ele ganhou! A primeira participação foi em Nova York, no Campeonato de 1957/58, que começou no dia 17 de dezembro e terminou no dia 8 de janeiro de 1958. Fischer tinha então 14 anos feitos!

Foram 14 jogadores, todos de alto nível, já que o campeonato americano classificava diretamente dois jogadores para o Interzonal. Para se ter uma ideia da força desse campeonato, na América do Sul, vários países faziam o zonal para classificar dois para o Interzonal, incluindo aí Argentina, Brasil, Peru, Paraguai, Uruguai. Na década de 80 assisti um Zonal, em Fortaleza, no qual estavam entre outros o argentino Oscar Panno. Portanto, o campeonato americano, que tinha força de zonal, reunia o que tinha de melhor no país.  

Fischer terminou em primeiro com 10,5 pontos em 13 possíveis. Em segundo veio Samuel Reshevsky, com 9,5 pontos. Fischer ganhou oito partidas e empatou cinco, terminando assim invicto. Das sete vezes que jogou com as brancas, ele usou o seu favorito 1.e4 por cinco vezes e duas vez o 1,Cf3 (Abertura Reti), tendo vencido 5 e empatado 2. Das seis vezes que jogou com as negras, conseguiu 3 vitórias e 3 empates. Enfrentou duas vezes o 1.e4, três vezes 1.d4 e uma vez 1.Cf3.

 CONTINUA.

sábado, 23 de julho de 2016

A pirraça de Reshevsky!

Por Fernando Melo

Os dois se enfrentando em 1960
A partida foi jogada pelo US Campeonato 1958/59. Fischer tinha 15 anos e Reshevsky, 47! Mal a partida começou, e Bobby Fischer, que conduzia as brancas, ganhou a Dama! Vale a pena ver agora como foi. Arme seu tabuleiro. Foi assim: 1.e4 c5 2.Cf3 Cc6  3.d4 cd 4.Cd4 g6 5.Be3 Cf6 6.Cc3 Bg7 7.Bc4 0-0 8.Bb3 Ca5 9.e5 Ce8 10.Bf7 !! 

E agora José? Analise o sacrificio. É um lance perfeito. Reshevsky está perdido e devia ter abandonado em respeito ao adversário. Mas abandonar em apenas 10 lances? O orgulho de Reshevsky pesou mais alto e, por pura pirraça, continuou a jogar. Fischer ganhou a Dama sacrificando o Bispo e um Cavalo, o que não deixa de ser uma vantagem considerável. Mas o condutor das negras não abdicou e a partida foi até ao movimento 42, quando finalmente, totalmente perdido, resolveu se entregar.

De 1956/70, se enfrentaram 26 vezes em partidas clássicas, com vantagem para Fischer de 9 vitorias, 4 derrotas e 13 empates! Reshevsky era polonês de origem e veio para os Estados Unidos aos 9 anos, onde naturalizou-se. Ele viveu 80 anos e morreu em abril de 1992. Aprendeu a jogar aos 4 anos e foi uma criança prodígio. Aos 8 anos deu uma simultanea na França, conforme registra a foto. Quando Fischer surgiu no cenário nacional, Reshevsky perdeu o trono para ele.

Hoje tem torneio!

O Clube de Xadrez Miramar abre na tarde de hoje, 23, mais uma vez suas portas para o torneio mensal. Trata-se do Ativo Paul Benko, em 5 rodadas, com 15x15. Na primeira rodada todos os jogadores terão que começar a rodada com o Gambito Benko. O torneio começa as 15 horas, mas um pouco antes, o MF Francisco Cavalcanti, fará uma explanação sobre o citado Gambito. A inscrição é de 40 reais e os sócios pagam 30 reais. Poderão participar jogadores com rating até 2100. Os três primeiros colocados receberão prêmios.

Carlsen ganha em Bilbao!



Faltando ainda uma rodada, Magnus Carlsen já é o campeão do torneio de Bilbao, que renue seis grandes mestres, com duas voltas e a vitória valendo 3 pontos e o empate 1 ponto. Faltando jogar com o GM americano Weslei, Carslen soma 16 pontos, sendo que o seu mais próximo seguidor, Nakamura, tem apenas 11 pontos. Quando voltar para casa, Carlsen vai descansar e só voltará ao tabuleiro em novembro, quando estará em jogo o seu titutlo de campeão do mundo, contra o russo, seu desafiante,Serjey Karjakin. Esse match será em Nova York.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A década de Mequinho

Mequinho com Polugayevsky em 1977
Por Fernando Melo

Já se passaram 43 anos, quando Henrique Mecking - Mequinho ganhou o Interzonal de Petrópolis, e até hoje não surgiu nenhum jogador em toda a América do Sul, que tenha feito mais do que ele. A década de 70 fez de Mequinho o terceiro melhor do mundo, atrás de Karpov e Korchnoi. E dele, Fischer disse que tinha força para ser campeão mundial!

Mas, o que fez Mequinho nos anos de 1973 a 1977? Ganhou dois Interzonais (Petropolis e Manila) e jogou duas vezes o Torneio de Candidatos (1974 e 1977). Em Petropolis, ele somou 12 dos 17 pontos, e foi o campeão isolado, com 7 vitórias e 10 empates, ou seja sem perder nenhuma partida! No Candidatos de 1974, ele enfrentou Viktor Korchnoi e perdeu por 3 x 1 e 9 empates. No ano de 1976, Mequinho ganhou o Interzonal de Manila com 13 pontos em 19, de forma isolada, sendo 8 vitórias, 1 derrota e 10 empates. Por fim, em 1977, ele enfrenta Lev Polugayevsky pelo Torrneio de Candidatos e perde por 6,5 a 5,5, com uma derrota e onze empates!.

Mequinho começou a década de 70 jogando o Interzonal de Palma de Mallorca, vencido por Bobby Fischer, e terminou em 12º, com 12,5 pontos em 23 possíveis, com 7 vitórias, 5 derrotas e 11 empates. Ainda em 1970, ele jogou o Torneio Internacional de Buenos Aires, vencido por Bobby Fischer, e terminou em  oitavo lugar com 8,5 pontos em 17 possíveis. Nesse torneio, ele empatou com Fischer! Mequinho ganhou a dama de Fischer por uma torre e um cavalo! A partida terminou em 30 movimentos por repetição de lances. Em 1972, foi jogar o torneio internacional  em San Antonio, Texas e ficou em 8º lugar, com 5 vitórias, 3 derrotas e 7 empates.  Em 1978, ele participa do Torneio Internacional de Wijk aa Zee, na Holanda, e faz uma fraca campanha, com 5 pontos em 11 possiveis, terminando em oitavo lugar. Por fim, em 1979, no Interzonal do Rio de janeiro, Mequinho jogou apenas as duas primeiras rodadas (2 empates) e teve que abandonar o torneio por recomendação médica. Ele só voltou ao tabuleiro em 1991, doze anos depois e nunca mais foi o mesmo!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

"Fischer é imbatível!"

Por Fernando Melo
Korchnoi sabia da força de Fischer

Na cerimônia de encerramento do match pelo Torneio dos Candidatos, entre Mequinho x Korchnoi, na cidade de Augusta-EUA, em 1974, Korchnoi foi entrevistado após vencer o brasileiro por 3x1 mais 9 empates, e perguntado como seria enfrentar Bobby Fischer, então campeão do mundo, caso vencesse a Final dos Candidatos e passasse assim a ser o desafiante do campeão do mundo, ele respondeu:

"Eu acho que eu iria perder de 6,5 a 4,5. Fischer é imbatível!"  Ora, isso é muito importante dito por um provável desafiante, o que soma em favor da vertente de que Fscher na década de setenta era realmente o melhor jogador diante de qualquer adversário. Depois dessa vitória de Korchnoi sobre Mequinho, o próximo adversário foi Petrosian, que tinha vencido Portisch, e Korchnoi venceu por 3,5 a 1,5, chegando a Final contra Karpov, que havia vencido Polugaevsky por 5,5 a 2,5 e a Spassky, por 7 a 4., Korchnoi perdeu num match que durou de 16 de setembro a 22 de novembro de 1974, com 24 partidas, por 12,5 a 11,5! 

Essa Final valeu pelo titulo mundial, uma vez que no ano seguinte Bobby Fischer não quis jogar, pois suas exigências não foram atendidas. A FIDE declarou Karpov campeão do mundo! Vejam a diferença, apenas um ponto em 24 partidas, deu a vitória a Karpov. Vendo o que Fischer fez, no Torneio de Candidatos de 1971 e no match com Spassky em 1972, temos que dar crédito a Korchnoi quando qualificou Fischer de imbatível.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O carrasco de Fischer!

Por Fernando Melo

Tal (de negras) o carrasco de Fischer, em 1959
O xadrez tem muitas histórias. Hoje vou contar uma, sobre o Torrneio de Candidatos de 1959, realizado em três cidades da Yugoslavia: Bled, Zagreb e Belgrado. Esse evento tinha como finalidade indicar o desafiante do então campeão do mundo, o soviético Miguel Botvinnik. Eram oito jogadores disputando esse direito: quatro soviéticos (Miguel Tal, Paul Keres, Tigran Petrosiaan e Vassily Smislov) , dois norte-americanos (Robert Fischer e Paul Benko), um yugoslavo (Svetozar Gligoric) e um alemão (Fridik Olafsson), Cada jogador enfrentava o mesmo adverário quatro vezes, o que representava um total de 28 partidas para cada um!

Neste torneio, Fischer tinha apenas 16 anos! Certo que já era Grande Mestre, mas covenhamos, ainda muito novo para enfrentar essas quatro feras soviéticas! Smyslov tinha perdido pouco tempo  o titulo de campeão mundial para Botvvinnik e Tal, venceria Botvinnik no ano seguinte, em 1960. Petrossian venceu mais tarde Bottvinnik se tornando campeão mundial, e Paul Keres, o único que nao foi campeão mundial desses quatro, tinha força sobrando para tanto. Eram então quatro feras contra o jovem americano!

Fischer terminou em quinto com 12,5 pontos! O campeão foi Tal, com 20 pontos, seguido de Keres com 18,5, o terceiro foi Petrosian, com 15,5 e o quarto foi Smyslov, com 15 pontos! No embate entre Tal x Petrosian, as quatro partidas terminaram em empate! A primeira foi em 12 lances, a segunda em 23 lances, a terceira em 15 lanes e a quarta em 25 lances! Vejamos Fischer com Petrosian. Foi 3 x 1 a favor de Petrosian com duas vitorias e dois empates. A primeira com vitoria de Petrosian, de negras, foram 68 lances! A segunda, nova vitoria do soviético, em 31 lances e as duas ultimas termirnaram em empate com 48 e 30 lances, respectivamente. E no embate com Tal, Fischer sofreu a pior derrota de toda sua vida 4x0! (41, 33, 34 e 52 lances). Nesse extrato de Tal, Petorisan e Fischer, o leitor pode sentir o que Fischer sofreu diante dos soviéticos. Doze anos depois, Fischer deu o troco!

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sábado tem torneio



Próximo sábado, 23, no Clube de Xadrez Miramar, será realizado o Torneio Ativo Paul Benko. Serão 5 rodadas com o tempo de 15x15 para jogadores abaixo de 2100. A inscrição é de 40 reais e sócios pagam 30 reais. Os três primeiros colocados receberão prêmios! A primeira rodada, que começa ás 15 horas, os jogadores terão que aplicar o Gambito Benko. Meia hora antes do inicio da prova, o MF Francisco Cavalcanti, diretor do torneio, fará uma explnação sobre o citado Gambito.

domingo, 17 de julho de 2016

Carlsen castiga Karjakin!

Por Fernando Melo

Este é o titulo do artigo de Leontxo Garcia, em El Pais, sobre a partida jogada dia 14 último. que ainda diz " O aspirante logra uma posição razoável, porém uma má decisão basta para que o campeão o fulmine." Vimos que Carlsen começou perdendo neste Torneio de Bilbao, e agora, após quatro rodadas, ele é o líder.com três vitórias e uma derrota, somando assim 9 pontos (uma vitória vale 3 pontos e um empate 1 ponto). Em segundo vem Nakamura com 6 pontos, seguido de Anish Giri com 4 pontos. Em quarto lugar, Karjakin (o aspirante), com 3 pontos e que ainda não ganhou neste torneio, seguido de Wesley So e Wei Yi, ambos com 3 pontos também. Este torneio terá duas voltas. 

Detalhe importante: Carlsen é o unico dos seis que tem mais vitórias. Ou seja, neste torneio, ele joga para ganhar! Nakamura, que venceu para ele, empatou as três partidas seguintes. Já Karjakin, perdeu uma para Carlsen e empatou as tres outras! Esse.posicionamento de Carlsen, vigoroso e determinado, pode ser visto como um aviso para o aspirante Karjakin. Não tenho noticias ainda, mas duvido muito que na bolsa de aposta, Carlsen não leve uma folgada vantagem para o match de novembro, em Nova York.

A partida em questão, foi uma Siciliana, com Carlsen conduzindo as brancas Quando Karjakin joga 36...Tb4, dá para sentir que ele já esta perdido, já que esta torre (na ala da dama) está ttoalmente inutil, enquanto Carlsen tem uma forte posição na ala do rei, com as torres dobradas na coluna g, dama e bispo em prontidão para entrar em ação. O massacre viria logo em seguida. Vale a pena ver a partida! Uma prévia para novembro? Não devemos desprezar a força de Karjakin, mas que ele foi castigado quinta feira... lá isso foi!

sábado, 16 de julho de 2016

A poesia da mente!

Por Fernando Melo

Com o passar dos anos, amei Roma! Essa frase é de Ilya Ehrenburg, jornalista e memorialista ucraniano, que li na minha juventude. Não importa a cidade, se Roma, Paris, Taperoá, importa é o amor que trazemos na alma, e ter a sensibildiade de sentir o que nos toca ou que esteja próximo. Para mim, o amor é o sentimento mais forte que o homem pode nutrir. Mais forte que o ódio, a paixão, porque ele, o amor, é eterno! E nessa eternidade está para muitos e para mim também  o xadrez!

Quando Bobby Fischer diz que o xadrez é vida, eu me emociono, porque não existe definição mais precisa e completa. E com o passar do tempo fui descobrindo, dia após dia, que o xadrez é mesmo, a poesia da mente! Quando jogamos, nossa mente se desdobra, torna-se ativa, presente, pulsante, vigilante. E nesse conjunto, resta lugar para a poesia, que é a expressão maior de uma mente lúcida, terna e saudável.

Se você estudar as partidas de Fischer com mais atenção, capricho, dedicação, verá que existe versos em lugar de lances, tal a beleza do cálculo que ele impõe a algumas de suas jogadas mais marcantes. Eu fui de uma felicidade sem par quando decobri a importância de Fischer para o xadrez. E hoje, no alvorecer do meu inverno, posso afirmar com segurança que no xadrez, Bobby Fischer é a poesia da mente!   .