domingo, 26 de junho de 2016

Aprendendo com Fischer!

Por Fernando Melo

Fique olhando o diagrama. As negras jogam. Agora vamos aos fatos. Esta foi uma partida jogada entre Bobby Fischer e Paul Benko, pelo Campeonato do EUA 1965, em Nova York. Foi uma Abertura Ruy Lopez (C95). Então, as negras jogaram após 36.Be4, qual lance?

Pois bem, Benko jogou  36...Dc8? e cometeu um erro que perde a partida. O que você acha que Fischer jogou? Não é tão dificil encontrar, mas é agradavel de ver! O lance foi 37.De8+ e as negras abandonaram. 

Fischer e Benko se enfrentaram, em partidas clássicas, 18 vezes, ao longo de 1958 a 1966, sendo  em favor de Bobby Fischer, 8 vitórias. 3 derrotas e 7 empates.


sábado, 25 de junho de 2016

O alemão Mieses

Por Fernando Melo
Jacques Mieses


Jacques Mieses (1865-1954) nasceu em Leipzik, Alemanha. Com 17 anos venceu o Campeonato de Berlim Seu primeiro torneio fora do país, ocorreu no famoso torneio de Hastings de 1895. Não se deu bem, ficando em 20º lugar, entre 22 jogadores. Mas, serviu de lição e experiência, uma vez em 1907 ganhou o primeiro prêmio no torneio de Viena. Mieses, desconhecido entre nós, me chamou a atenção pela sua participação em Baden-Baden 1925, E é sobre isto que quero falar 

Ele ja estava com 60 anos e fez um fraco torneio ocupando o 19º lugar em 21 jogadores. Bem, por desempenho em torneio Mieses não entusiasma. Mas por que este meu interesse? Das dez partidas com as negras, Mieses empatou duas, ganhou três e perdeu cinco. Mas o que me chamou a atenção é que dessas cinco derrotas, quatro foram com ele jogando a Defesa Holandesa. Até aí tudo bem. Ocorre que entre as preferidas de Mieses, com as negras, não consta a Holandesa. A Siciliana, a Escandinava, a Tarrasch, estão entre suas preferidas.

Imagino que ele tenha preparado para esse torneio essa, vamos dizer, surpresa, jogando uma defesa fora do seu repertório. Infelizmente não deu certo. Ele perdeu para Tartakower, Carlos Torre, Bogoljubov e Nimzovitch jogando a Holandesa., sendo que no embate frente a Tartakower,foi duramente massacrado em apenas 15 lances! Entre os jogadores que venceu ao longo da vida, podemos lembrar Tarrasch, Paulsen, Blackburne, Chigorin, Marshall, Spielmann, Vidmar, Rubinstein. Com Marshal, por exemplo, que foi campeão dos Estados Unidos, Mieses enfrentou 30 vezes, com 13 derrotas, 10 vitórias e 8 empates.

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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Mate em 2

BRANCAS JOGAM E DÃO MATE EM 2 LANCES!

O começo da era Soviética

Por Fernando Melo


O que esses anos 1946 e 1972 têm em comum? Podemos afirmar que é o começo e o fim da Era Soviética no domínio absoluto do xadrez mundial. Foram 26 longos anos. E como tudo começou?
É o que vamos tentar dizer neste artigo de hoje.

Groningen 1946 foi o primeiro grande torneio internacional a ser realizado após a Segunda Guerra Mundial, na cidade de Groningen, Holanda, em agosto e setembro. Miguel Botvinnik ganhou o torneio com meio ponto à frente do ex-campeão mundial Max  Euwe..Este foi o primeiro torneio fora da União Soviética em que foi enviado uma equipe de mestres para competir. Além de Botvinnik, Vasily Smyslov, Isaac Boleslavsky, Salo Flohr e Alexander Kotov, que ocuparam respectivamente , o primeiro lugar, terceiro, sexto, sétimo e e décimo primeiro.. Foram 20 jogadores de 11 países. Jogaram também neste torneio, Miguel Najdorf e Tartakower.

Podemos registrar aqui um episódio  Após a 13ª rodada, Botvinnik tinha 11,5, Euwe e Smyslov com 10,5.Na rodada seguinte, a 14ª, Euwe ganhou para o francês Ossip Bernstein, que aos 65 anos foi o jogador mais velho do torneio. e Botvinnik perdeu para o seu compatriota Alexander Kotov. Anos mais tarde, Kotov informou que recebu críticas consideráveis por derrotar Botvinnik. O interessante, é que o proprio Kotov derrotou Euwe na última rodada, no que deu o título a Botvinnik.E assim... 70 anos se passaram!


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Arriba México!

Carlos Torre Repetto(1904-1978), em 1925 ,com 21 anos
Por Fernando Melo

Na primeira metade do século passado, o xadrez internacional era rico de grandes jogadores. Para que o leitor concorde comigo, vou citar alguns nomes que participaram do Torneio Internacional de Baden-Baden 1925, na Alemanha, no período de 15 de abril a 14 de maio.. A começar por Alekhine. Nimzovitch, Tartakower, Marshall, Grunfeld, Tarrasch, Saemisch, Rubinstein, Reti, Spielmann, num total de 21 jogadores. 

O grande vencedor foi o russo (francês) Alexander Alekhine que somou 16 pontos em 20 possíveis (1,5 a mais do que o segundo lugar), com  12 vitórias, 8 empates e nenhuma derrota, se constituindo também em o único invicto. O vice campeão foi o polonês (belga)  Akiba Rubistein, com 14,5 pontos, com 10 vitórias, 9 empates, e uma derrota sofrida para Tartakower. Em terceiro, com 13,5 pontos, ficou o alemão Friedrich Saemisch, com 10 vitórias, 7 empates e 3 derrotas.

Neste torneio teve uma partida que considero inusitada, muito inusitada, bastante inusitada, Foi entre o americano Frank Marshal e o mexicano Carlos Torre Repetto, quando este usando a Defesa Mexicana (A50), esmagou o gringo em apenas sete lances! Torre terminou em 10º, com 10,5 pontos (5V 4D 11E) O México, um país sem grande tradição no xadrez, tem essa história para contar Portanto: Arriba México!

Repetto x Marshal
1.d4 Cf6 2.c4 Cc6 3.d5 Ce5 4.b3 e6 5.Bb2 Bb4 6.Cd2 Ce4 7.Bc1 Df6. (Lembrar que Carlos Torre jogou contra Alekhine, de brancas, e empatou em 14 lances.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Fischer: vitória moral em Bled!

Por Fernando Melo
Fischer na sua partida com Olafsson, Bled 1961

Em 1961, aos 18 anos de idade, Bobby Fischer participou de um torneio internacional, em Bled, Iuguslávia. Eram 20 participantes, entre eles Miguel Tal (campeão do mundo), Petrosian, Keres e Geller, todos da União Soviética, além de um time de peso como Gligoric, Najdorf, Bisguier, Olafsson, Pachman, e por aí vai! Cada jogador portanto teria 19 adversários pela frente. O torneio começou no dia 3 de setembro e terminou no dia 3 de outubro! Uma maratona, portanto. E sabem quem ganhou? Miguel Tal com 14,5 em 19 pontos possíveis. Fischer veio em segundo, com 13,5 pontos! E por que essa vitória moral de Fischer, que o título acima fala?

Fischer foi o único dos 20 jogadores que terminou invicto, ou seja, não perdeu nenhuma das 19 partidas que jogou. Tal, que ganhou a prova, perdeu apenas uma partida. Sabem para quem? Exatamente para quem voce deve estar penaando: Bobby Fischer. Um outro dado interessante, é que ao vencer Geller (terminou em 6º com 10,5 pontos), Fischer recebeu uma ovação de pé. Esta partida é a de número 29 do livro de Fischer, "Minhas 60 memoráveis partidas". Vale a pena registrá-la aqui:

Fischer - Geller
Ruy Lopez (C72)
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 d6 5.0-0 Bg4 6.h3 Bh5 7.c3 Df6 8.g4 Bg6 9.d4 Be4 10.Cbd2 Bg6 11.Bc6 bc 12.de de 13.Ce5 Bd6 14.Cg6 Dg6 15.Te1 Rf8 16.Cc4 h5 17.Cd6 cd 18.Bf4 d5 19.Db3 hg 20.Db7 gh 21.Bg3 Td8 22.Db4 (1-0)


terça-feira, 21 de junho de 2016

O ilustre Tartakower!

Por Fernando Melo

Faz tempo que conheço o xadrez do GM Savielly Tartakower (1887-1956), de quatro nacionalidades, sendo russo de origem, depois austriaco, polonês e finalmente francês. Na última Guerra Mundial (1939-1945), serviu ao exército livre francês sob o comando do general Charles de Gaulle. Jornalista de xadrez de rara inteligência, autor de vários livros, adotados ainda hoje. Faz gosto estudar as parridas de Tartakover, a quem Najdorf chamava de "Meu mestre!".  Formado em Direito, falava alemão e ftancês fluentemente. Na juventude, enquanto estudante, frequentava os cafés em Viena, onde se jogava xadrez. E foi alí que conheceu, entre outros Carl Schlechter, Géza Maróczy, Milan Vidmar e Richard Réti. Na primeira Guerra Mundial ele serviu ao exército Austro-Hungaro como oficial de pessoal em vários postos, tendo ido para a frente russa com a infantaria do regimento vienense,

Tartakover é considerado como uma das personalidade mais notáveis do xadrez do seu tempo. Harry Golombek traduziu o livro dos melhores jogos de Tartakower e no prefácio escreveu, com uma tradução não muito boa, mas que dá para entender. Vejamos: "Dr. Tartakower é de longe o mais culto de todos os mestres de xadrez que já conheci. Sua extremamente bem guardada mente e sempre fluindo sagacidade nativa, fazer conversa com ele é uma delícia perpétua. Tanto é assim que eu contá-lo como uma das atrações mais brilhantes um torneio internacional pode aguantar para mim que o Dr. Tartakower pode ser um dos participantes. Seu discurso e pensamento são um pouco de uma mistura mordenizada de Baruch Spinoza e Voltaire; e com ele toda uma pitada de originalidade paradoxal que é Tartakower essencial.   

Entre as aberturas preferidas deste genial jogador, está a nossa querida Bird, e entre as defesas, nada menos do que o nosso xodó atual, a Holandesa. Basta isso para que eu possa dizer o quanto me interessa o estudo das partidas deste ilustre Tartakower!  




segunda-feira, 20 de junho de 2016

O argentino Oscar Panno

Por Fernando Melo

GM Oscar Panno em foto de 1977
Na década de 50, do século passado, o xadrez na Argentina era imbatível na América do Sul. Basta lembrar que no Candidatos de 1956, tinham dois argentinos: Oscar Panno e Herman Pilnik (alemão de origem).Na época, o campeão do mundo era Miguel Botvinnik, e o vencedor deste torneio  seria então o desafiante do campeão do mundo no ano seguinte. Vejamos a participação de Oscar Panno, muito conhecido dos brasileiros.

Panno tem hoje 81 anos. Ele foi campeão mundial juvenil em 1953. No ano seguinte conquistou o título de MI e o de GM um ano após. O Candidatos de 1956, em Amsterdam (Holanda) de 27 de março a 30 de abril, era formado de 10 jogadores, sendo 6 da União Soviética (Smyslov, Keres, Spassky, Petrosian, Brostein e Geler), um húngaro, Szabo,, um checo, Filip e os dois argentinos citados. Cada jogador enfrentava o adversário duas vezes. A posição de Panno foi penúltimo lugar, somando 8 pontos em 18 possíveis, com 2 vitórias, 4 derrotas e 12 empates! O campeão foi Smyslov, com com 11,5,  somando 6 vitórias, 1 derrota e 11 empates.

domingo, 19 de junho de 2016

Dutra ganha Ativo Junino

Com 4,5 pontos em 5, Antonio Dutra ganhou o Torneio Aitivo Junino, realizado na tarde de ontem no Clube de Xadrez Miramar, sob a direção do MF Francisco Cavalcanti. Foram 16 participantes e que teve a seguinte classficiação:
1º/2º - Antonio Dutra e João Felipe, com 4,5 pontos: 3º - Luciano Dutra - 4 ; 4/7 - Erivaldo, Arivânio, Eny e Emerly, todos com 3 pontos: 8/9 - Petrov e José Mário, com 2,5 pontos; 10/13 - Manasses, Luis Paiva, Mirra, Emely com 2 pontos; 14/15 - Ubirajara e Tulio com 1 ponto; 16 - Fabiano não pontuou. 

I Mundial da FIDE

Por Fernando Melo

Mundial 48: Smyslov e Keres 
Com a morte de Alekhine em 1946, portanto há 70 anos, o trono de campeão do mundo ficou vago. Dois anos depois, já com a existência da FIDE, foi realizado um torneio, com seis jogadores, considerados os melhores de então, e cujo vencedoe seria oonsagrado como o novo campeão do mundo. Os indicadoas foram: Miguel Botvinnik, Vassily Smylov, Paul Keres (todos da URSS), Samuel Resshevsky e Ruben Fine (EUA), Max Euwe (Holanda), só que Fine declinou do convite e o torneio foi realizado com os cinco primeiros da relação acima. Cada jogador enfrentar cada adverário cinco vezes!

Vejamos o resultado desse Match histórico. Botvinnik foi o grande vencedor, somando 14 pontos em 20, com 10 vitórias, 8 empates e 2 derrotas. Smyslov veio em segundo com 11 pontos, seguido de Reshevskye  Keres, ambos com 10,5 e por último Euwe com apenas 4 pontos!

Das 50 partidas jogadas, Botvinnik foi o autor da mais longa e também da mais curta, jogando de brandas, ele empatou com Smyslov em 80 lances, e empatou com Euwe em 14 lances. A Abertura Ruy Lopes foi a mais jogada,, 13 vezes. Os árbitros do evento foram Milan Vidmar (titular) e Alexander Kotov (auxiliar). A premiação foi a seguinte : 5 mil dólares para o campeão,  3 mil para o segundo, 2 mil para o terceiro, 1.500 para o quarto e 1 mil dólares para o quinto. Podemos assim constatar que a premiação hoje está diferente, bem diferente, muito diferente. Carlsen ganhou um milhao de dólares ao se tornar campeão!