sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O Voo do Capivara – A história do Gambito Urquiza

Você tem razão, meu incrédulo leitor, esse gambito não existe. A história, sim; mas o gambito, não. Aliás, eu sou uma lástima em teoria de abertura. Reconheço a minha incapacidade em desenvolver tais estudos. Porém só deixarei para falar do tal gambito mais adiante. Então mantenha-se sereno, como a simpática capivara da foto, enquanto tento encher linguiça com outros assuntos.


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Teve um período em que priorizei o xadrez por correspondência. Foi numa época em que a internet ainda não era popular, e que os programas de computadores eram adversários fracos. Portanto, já faz um tempinho...

Foi quando vim trabalhar no interior. Início de carreira, dinheiro curto, distância para os grandes centros, torneios com rodadas no meio da semana. Tudo isso dificultava a minha participação em competições presenciais. Depois vieram a esposa e os filhos... então a coisa complicou de vez.

Dessa forma, fui me envolvendo cada vez mais com o xadrez postal.

As partidas duravam meses. Era uma ida e vinda interminável de aerogramas. Eu comprava blocos dessas cartas pré-franqueadas. E ainda tínhamos de guardar as que recebíamos até o final do respectivo torneio. As pastas ficavam abarrotadas.

Havia pouca interação entre os jogadores, salvo uma breve apresentação no primeiro contato. O foco era o xadrez, principalmente para aqueles que jogavam muitos torneios, como era o meu caso. Alguns de nós até providenciavam a confecção de carimbos, seja para a transmissão dos lances, ou até para que não precisássemos escrever nosso próprio endereço. Tudo para racionalizar a atividade.

Mas alguns também gostavam de socializar. Eram raros, mas existiam. Lembro-me de um jogador de Goiânia (GO). O cidadão escrevia uma lauda equivalente a uma folha de papel ofício! Até tentei retribuir. Mas responder aquela carta era mais difícil do que analisar os vários lances que me chegavam todos os dias. Então fui diminuindo o tamanho da minha missiva, até que ele se chateou e disse que, em face da pouca atenção que eu estava dando aos seus escritos, a partir daquele momento se limitaria a jogar xadrez. Ufa! Foi um alívio.

Mas nada substituía as emoções proporcionadas pelo xadrez presencial. Então eu buscava suprir essa carência com a participação em mais e mais torneios postais. Eram muitos lances que tinha de responder diariamente. Chegava do trabalho, brincava um pouco com os meninos, dava outro tanto de atenção à esposa, e logo ia analisar os jogos, até altas horas.

Nessa balada, consegui me classificar para as semifinais dos dois mais importantes torneios do Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro (CXEB): o Campeonato Brasileiro e a Taça Brasil. E estava indo até bem. As partidas já estavam no meio-jogo, e eu vislumbrava a possibilidade de me classificar para a final de pelo menos um deles.

Mas eu não me limitava a jogar apenas esses. Ainda tinham uns torneios por categoria, outros temáticos, e até um internacional. Então, um dia, travei. Não conseguia responder mais nada. Quem já jogou “pinball”, sabe que não se deve sacudir a máquina com muita violência, pois ela pode dar “tilt” e travar. E foi assim: deu “tilt” no meu juízo.

Naquele momento, reconheci que não já era mais possível continuar com o xadrez. Peguei meus livros, materiais, planilhas e tudo o mais relacionado ao jogo e coloquei numa caixa que, tal qual uma cápsula do tempo, só veio a ser aberta vinte e sete anos depois.

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A história do gambito começou quando, em novembro de 1990, teve início um torneio da Categoria Especial (TC-E) do CXEB. Dentre os meus adversários, constava o nome do Mestre Fernando Melo. Aliás, a partida que joguei com ele, naquela ocasião, é uma das minhas preferidas. Precisei de muita paciência para romper a sólida posição defensiva que ele montou.

Melo era um dos correspondentes que  gostavam de interagir, mas de uma forma moderada. Certo dia, ele me informou que estava editando um boletim que cantava loas às virtudes da Defesa Francesa, da qual era aficionado. Perguntou se eu gostaria de recebê-lo. Aceitei de bom grado, pois aquela defesa também tinha sido a minha preferida por muito tempo.

Numa das edições, ele convidou os assinantes que estivessem jogando alguma linha específica da Francesa, com bons resultados, para compartilhá-la com os demais leitores.

Mexendo nos meus velhos Informadores, eu havia encontrado uma interessante linha da Variante Tarrasch. Já a tinha usado três vezes, com cem por cento de aproveitamento. Fiz algumas análises e mandei para Fernando. Talvez ele aproveitasse alguma das partidas...

Porém ele fez mais... Publicou uma matéria de página inteira com todas as partidas, duas deles comentadas, com o título de “O Gambito Urquiza”! (*)

Ora, o tal gambito não é meu coisíssima nenhuma. Mas tomei parte de uma história que carrego com muito carinho. E que bom que o xadrez nos proporciona esses momentos.

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Para aqueles que estão curiosos, segue uma das partidas.

Marcello Urquiza x Ivan Marques da Silva

IX Campeonato Brasileiro Individual – Fase Preliminar

15/03/1990 a 09/11/1990

https://share.chessbase.com/SharedGames/share/?p=ZKDzot0SG/USK+jAIEOB7H8AFtoa93lR5yMKA6zj7BxvsmO3qCaqyvzXcDtUUJTT

1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cd2 Cf6 4.e5 Cfd7 5.Bd3 c5 6.c3 Cc6 7.Ce2 cxd4 8.cxd4 Db6 9.Cf3 f6 10.0-0

Eis o gambito: sacrifício de peão para tentar um ataque ao rei preto, que permanece no centro do tabuleiro.

A linha mais jogada é 10.exf6 Cf6 11.0-0 Bd6 12.Cc3 0-0, etc.

10.... fxe5 11.dxe5 Cde5

Numa das partidas citadas no texto, meu adversário recusou a oferta, mas perdeu rapidamente depois de 11.... Be7 12.Cf4 Cc5 13.Be3 Db2?! 14.Bc5 Bc5 15.Tb1 Da3 16.Cg5 Re7 17.Dh5 Ce5 18.C5e6 Cd3 19.Dg5+ Re8 20.Dd8+ As pretas abandonaram (Marcello Urquiza x Otávio Fonseca – correspondência - 1989).

12.Ce5 Ce5 13.Cf4

Esse é o lance que “justifica” o sacrifício. A possibilidade do xeque em h5 causa algum desconforto às pretas, mas as chances são iguais frente a uma defesa correta.

A outra possibilidade é 13.Be3, pois as pretas não podem tomar o peão de b2.

13.... Cd3 14.Cd3 Bd6

Na outra partida, as pretas jogaram 14.... g6 15.Be3 d5?! 16.Da4+?! Bd7 17.Dd4 Dd4 18.Bd4, com o jogo um pouco melhor para as brancas. Mas 16.Ce5! teria  dado uma grande vantagem.

15.Dh5+ g6 16.Dh6 Bf8

Teria sido melhor 16.... Dd4 17.Td1 Dg4 18.Te1 Dh5, com jogo igual.

17.Df4 Bg7 18.Be3

Era mais forte 18.Ce5 Dc7 19.Te1 a6 20.b3 Tf8 21.Dg3 Tf5 22.Bb2, com jogo melhor. Mas as brancas ainda mantiveram uma leve vantagem.

18.... Da6 19.Tfd1 Bd7

As pretas necessitavam resolver o problema do rei no centro do tabuleiro com 19.... Dc4 20.Dd6 Da6 21.Db4 Dc4 22.Dd2 0-0, embora as brancas continuassem com o jogo melhor.

20.Cc5 Dc6 21.Tac1 Bb2? 

Perdendo a última oportunidade de rocar. 21.... e5 22.Db4 0-0 23.Db3, apesar de que ainda estariam sob forte pressão.

Com o rei no centro e várias linhas abertas, as negras ficaram perdidas. Veremos como as brancas realizaram uma série de manobras, principalmente com a dama, que culminaram com a invasão da posição.

22.Cd7 Dd7 23.Tc7 g5 24.Dg3 Da4 25.Df3 Bf6 26.Dh5+ Rd8 27.Tdc1 De8 28.Dg5 Tf8

28.... Bg5 29.Bg5+ De7, não traria alívio.

29.Dg3 Tf7

29.... e5 30.Dg4.

30.Dd6+ Pretas abandonaram

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(*) Na planilha de uma das partidas citadas no texto, consta uma anotação feita à mão: “Ataque Urquiza”. Então fiquei em dúvida se o titulo da matéria que Fernando publicou era “Gambito” ou “Ataque”. Usei gambito neste texto, pois foi o primeiro termo que me veio à memória.






A Paraíba tem um novo Mestre Nacional

 

MN João Tejo

Campeão Brasileiro de Xadrez Seniores +65 online


A Confederação Brasileira de Xadrez promoveu o Campeonato Brasileiro de Xadrez Seniores. Este ano, ele teve o formato "online". A competição foi jogada em setembro e foi subdividida em Seniores+50 e Seniores+65 (absoluto e feminino). O tempo de jogo foi de 10 minutos.

A Paraíba, que contou com vários representantes, fez bonito no Seniores+65! João Tejo, de Campina Grande, que tinha como meta apenas obter o título de Mestre Nacional, também conquistou o título de campeão do torneio absoluto.

Joca, como é carinhosamente chamado por seus parceiros do Clube de Xadrez de Campina Grande, é aficionado do Xadrez Blitz e um dos promotores do torneio que é realizado anualmente naquela cidade.

Parabéns, Mestre Joca!






quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O Boneco do Cão

O título acima não tem qualquer referência cinematográfica, tipo “Chucky”, de o Brinquedo Assassino. Se você não sabe, “cão” é uma denominação muito usada aqui no Nordeste para se referir ao inominável, ao anjo decaído.

Pois bem, todo lugar tem um jogador de xadrez folclórico para chamar de seu. E João Pessoa não é exceção. Como você já deve estar desconfiando, a capital paraibana também foi agraciada com um, cuja simpática alcunha é “Boneco do Cão”...

Como? … Não, caro leitor, ele não tem qualquer afinidade com o coisa ruim. Muito pelo contrário. Boneco ganhou esse codinome porque cogita-se que nem o “cão” aguentaria jogar com ele!


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Estava acompanhando uma conversa em um grupo do Whats App, quando foi lançado um desafio: uma disputa presencial de xadrez blitz entre João Pessoa e Campina Grande. A especulação em torno de quais jogadores comporiam as equipes começou imediatamente. Nome vai, nome vem. Tentativas de cooptação. Avaliações mil sobre as chances de cada time. E quando parecia que o pessoal de Campina estava levando vantagem naquela discussão, alguém da equipe de Jampa lembrou:

- “Calma jovem, nós temos Boneco!”

A discussão parou. Só depois de uns dez minutos, um campinense perguntou:

- “Quem boba é Boneco?!”

Mais uma expressão comum nestas paragens: “boba da peste” ou, na sua forma reduzida, “boba”. É usada para denotar surpresa, espanto.

Outro integrante do time da Rainha da Borborema ficou nervoso por desconhecer a força daquela arma secreta, e tentou minimizar:

- “Azar de João Pessoa, que tem um boneco que não pensa e não se movimenta, enquanto Campina conta com humanos.”

- “Brinque não! Ele leva o jogo a sério”. Alertou um pessoense.

- “Eu estudei só para não perder para Boneco. Foi meu incentivo”. Completou outro.

- “É horrível perder para ele”. Testemunhou um terceiro. Disse que ele e os amigos criaram um lema, um ideal: “Que eu perca para qualquer um, só não para Boneco”.

- “Para você ter uma ideia...”

E contou que certo dia, Boneco recebeu a visita de um amigo para umas partidas de blitz. Lá pelas tantas, o amigo precisou dar uma saída, e pediu a ele para ensinar algumas regras básicas para sua filha, que o estava acompanhando. Valores das peças, como elas se movimentavam, algumas jogadas, etc.

Quando o amigo retornou, Boneco estava jogando uma partida no relógio com a menina... e pressionando:

“ - Joga, mizera!”

Moral da história: a Paraíba perdeu uma promissora enxadrista.




sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Semana histórica para o xadrez paraibano

Duas equipes paraibanas conquistaram os acessos às Séries A de suas respectivas competições.

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Batalha por equipes – Brasileirão – Série B

A primeira foi a equipe “Paraibanos Nativos para Batalhas”, que venceu a Série B do Brasileirão.

A quarta etapa foi jogada na última terça-feira, com três times ainda disputando as duas vagas: Paraíba, Pernambuco e Pará. A equipe pernambucana fez uma grande mobilização e conseguiu inscrever quarenta e quatro jogadores, a Paraíba manteve sua média com vinte e oito, mas o Pará colocou apenas sete  em campo e, dessa forma, ficou em sem chances de conquistar a vaga.

Já praticamente classificados, coube aos estados de Pernambuco e da Paraíba a disputa pelo primeiro lugar da série. A equipe paraibana tinha uma vantagem de 45 pontos, conquistada nas três etapas anteriores.

O forte time pernambucano venceu com 30 pontos de diferença, mas que já não seria suficiente para tirar o título da Paraíba.

Porém, uma reviravolta ainda nos aguardava. A plataforma Lichess detectou que um jogador de Pernambuco usou a ajuda de computador para jogar suas partidas e, com isso, a equipe pernambucana foi punida em 34 pontos. Assim, além da vitória na Série B, a equipe paraibana também venceu a última etapa!

Transcrevo um comentário feito no grupo do Whasts App do Clube de Xadrez de Campina Grande:

Confirmada a fama da equipe da PARAÍBA ser perigosa na ultrapassagem nos minutos finais de cada torneio. A NOVIDADE DE HOJE É QUE ELA AINDA PODE ULTRAPASSAR MESMO QUE O TORNEIO JÁ TENHA TERMINADO!!!” (Edison Davi).

Confirma a classificação geral da Série B:

Obs.: Pontuação total ainda sem a punição aplicada a Pernambuco

O resultado final da etapa foi o seguinte:

Obs.: Pontuação total ainda sem a punição aplicada a Pernambuco

Mais uma vez, o estado marcou presença no “Top 10” com três jogadores, além participação especial de Rafaell Montenegro, que foi o campeão geral individual da etapa.

Veja como foi a pontuação individual de vinte de nossos jogadores:

- Série A -

O Rio Grande do Norte confirmou sua boa fase. Venceu a quarta etapa do Brasileirão e, de quebra, conquistou a medalha de prata da Série A. Parabéns!

Nos juntaremos ao estado Potiguar, além de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Bahia, na próxima edição da Série A do Brasileirão. O Nordeste em peso!

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G10 Brasil – Série B

Nessa quinta-feira, foi a vez da equipe do “Clube de Xadrez de Campina Grande”, que confirmou seu favoritismo ao ganhar a última etapa da competição e vencer a Série B com cem por cento de aproveitamento!

As três primeiras colocadas subiram para a Série A. Confira:


Resultado final da quarta etapa:


O desempenho individual foi o seguinte:



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Agradecemos a todos que deram sua contribuição para essas grandes vitórias. Relembramos mais uma vez a importância de cada um, pois, tal qual no futebol, o time precisa de artilheiros, da mesma forma que de zagueiros. Quem não pontua, pode tirar pontos das equipes rivais.

Vamos em frente! Teremos desafios bem maiores!









O Voo do Capivara - Menino... mas com xadrez de gente grande!

O convidado de hoje já foi apresentado em outra postagem. Trata-se de Flávio Daher. Confira o texto “Um golpe de misericórdia”, se ainda não o fez, para saber como o conheci. Acesse o link:

https://reinodecaissa.blogspot.com/2020/08/desventuras-de-um-capivara-um-golpe-de.html

Flávio foi um talento precoce. Aos 14 anos, obteve o quarto lugar no Torneio Zonal Nordeste, em Salvador (BA). Com esse resultado, se classificou para o Campeonato Brasileiro de 1976, que foi jogado em João Pessoa (PB). Um dos mais jovens jogadores, até então, a participar de uma final do campeonato brasileiro.

Também teve participação destacada no Campeonato Brasileiro Juvenil de 1979, quando conquistou o quarto lugar. Dois futuros Grandes Mestres, Gilberto Milos e Darcy Lima, e o futuro Mestre Fide Francisco Cavalcanti também estiveram nesse torneio.

Além de ser um forte jogador, ele era muito rápido nas partidas de cinco minutos. Em 1988, foi duas vezes ao pódio dos Jogos Universitários Brasileiros (JUB`s), também em João Pessoa (PB). Bronze no torneio por equipes e vice-campeão no torneio de xadrez relâmpago.

Recorte de jornal de 06/07/1976

Na foto: Flávio Daher (PE)   x  Pimenta (MG)

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Outro dia, enquanto conversávamos sobre a final daquele brasileiro, ele disse:

“ - Joguei uma partida interessante com Chemin.”

Ops! Oportunidade à vista.

“ - Posso publicá-la?”

Ele assentiu, e cá estamos nós.

Àquela altura, o MF Vitorio Chemin, além de outras conquistas, já tinha vencido três vezes o campeonato paranaense (1971, 1972 e 1974).

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Estava tentando encontrar uma forma de descrever essa partida, quando me lembrei dos “Spaghetti western”. Os “Faroeste espaguete” são aqueles filmes de "bang-bang"  produzidos na Itália, por volta dos anos 1960. Uma de suas maiores estrelas foi o ator Clint Eastwood. Eu gostava demais! E ainda sou fã do gênero.

Então imaginei a seguinte cena: três “cowboys” caçavam cavalos selvagens numa vasta pradaria, quando se deparam com um imponente garanhão. Um deles joga o laço e acerta. Mas o vigoroso animal se debate violentamente, ameaçando jogar o vaqueiro ao chão. O segundo “cowboy” entra em cena e também acerta sua laçada, mas o cavalo continua a pular. Só quando o terceiro joga sua corda, é que o valente garanhão é controlado.

Agora, verifique a partida, e veja se meu roteiro confere.

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Flávio Daher x Vitorio Chemin

João Pessoa (PB) – julho de 1976

https://share.chessbase.com/SharedGames/share/?p=QKZwV6hU9qcBHuAVEu6so5ajmlPN4CZBBVAd3Ija9sfGX2VdrE87qH5GBXK+TbM6

1. c4 e6 2. g3 c5 3. Bg2 Nc6 4. Nf3 d5 5. O-O Be7 6. cxd5 exd5 7. d4 c4 8. Nc3 Nf6 9. b3 cxb3 10. Qxb3 O-O 11. Rd1 a6 12. Ne5 Na5 13. Qb1 b5

Esse foi um lance duvidoso, pois abre a posição no setor em que as pretas não estão plenamente desenvolvidas.

Dr. Fritz observou que as pretas deveriam ter continuado com a mobilização de suas forças. Por exemplo: 13.... - Be6 14.a4 – Tc8 15.Bd2 – Bd6, com o jogo um pouco melhor para as brancas.

14. e4! dxe4

A outra opção era 14.... - Bb7, mas também não traria alívio. 14.... - Bb7 15.Bd2 (O cavalo de a5 passa a ser uma fonte de preocupação) 15.... - Ce4 16.Ce4 dxe4 17.Be4 Be4 18.De4, com jogo melhor.

15. Nxe4 Nd5

E o garanhão foi avistado pelos “cowboys”. Nessa posição, o cavalo se submete a possíveis cravadas, agravando os problemas das pretas.

Teria sido melhor 15.... - Bb7 16.Bd2 (ameaçando ganhar uma peça) 16.... - Ta7 17.Cf6+ Bf6 18.Bb7 Tb7 19.De4, apesar de que as brancas ainda manteriam um jogo melhor.

Agora veremos como o jovem Flávio explorou o tema da cravada, ou laçada, como queiram, de forma exemplar.

16. Bd2 

Observe o diagrama. As pretas têm um cavalo em d5 virtualmente cravado, a torre em a8 indiretamente atacada e o outro cavalo de a5 é uma fonte de preocupação.

Por outro lado, as peças menores das brancas são poderosas, além de uma torre em d1 que pressiona a coluna d.

E foi nessas circunstâncias que as pretas colocaram esse bispo na “reta”, ou melhor, na diagonal. Teria sido melhor Be6.

16....  Bb7  17. Nc5

Ameaçando ganhar uma peça. Também libera a ação do forte bispo de g2, cravando o cavalo de d5.

O bispo vaqueiro foi o primeiro a laçar o garanhão...

17.... Bxc5 18. dxc5 Nc6 19. Bf4

… e a torre de d1, como um mourão, se encarrega da segunda laçada.

19.... Nxe5 20. Bxe5 Re8 21. Qb2

A dama amazona entra no jogo com ameaças terríveis, dentre as quais, Bg7 é a menor.

Observe que o garanhão está se debatendo contra dois laços. As pretas já estão perdidas, mas ainda falta a terceira laçada.

21.... f6 22. Bd6 Qa5 23. Qb3

E, finalmente, o terceiro laço foi arremessado. Já era possível 23.Bd5+, mas o lance jogado é mais elegante e, ademais, me deu a oportunidade de “inventar” essa história das três laçadas.

23....  Te6 24. Bxd5 Bxd5 25. Qxd5 Re8

As pretas abandonaram sem esperar resposta.

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Quando acabou a partida, Sunyê se aproximou, deu uma tapinha nas costas de Flávio e disse:

“ - Olha, Chemin não costuma perder para meninos.”

Menino sim, senhor, mas com xadrez de gente grande!

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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

A Paraíba vence mais uma etapa do Brasileirão

Os assuntos dessa postagem são:

  1. Posição com mate em 8 lances;

  2. Bahia Open de Xadrez Online;

  3. Terceira etapa do Brasileirão.

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Mate em 8 lances

Jogando uma partida de blitz online, me deparei com a seguinte posição: 

Achei interessante e resolvi compartilhar. As pretas jogam e dão mate em 8 lances!

Tente encontrá-lo. Divulgarei a solução no final desta postagem.

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Bahia Open de Xadrez Online

A Federação Baiana de Xadrez está promovendo esse megaevento, que contará com torneios absoluto, por equipes e de diversas outras categorias.

Para maiores informações, consulte o site da federação: www.fbxxadrez.org.br.

Corra! As inscrições serão encerradas na próxima segunda-feira.

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Terceira etapa do Brasileirão

A equipe paraibana “Paraibanos Nativos para Batalhas” venceu a terceira etapa do Brasileirão Série B. Assim, manteve a liderança geral da competição, agora com uma maior folga em relação a seus principais concorrentes.

A próxima semana promete ser histórica para o xadrez paraibano, pois as duas equipes que representam o estado disputarão o acesso à Série A em suas respectivas competições. Na terça-feira, a “Paraibanos Nativos” disputará a vaga pela Série A do Brasileirão; na quinta-feira, será a vez do “Clube de Xadrez de Campina Grande” no G10 Brasil.

O resultado geral da 3ª etapa foi o seguinte:


Segue abaixo a pontuação dos três principais concorrentes ao acesso:

1º) Paraíba - 695 pontos

2º) Pernambuco - 650 pontos

3º) Pará - 640 pontos


A equipe paraibana contou com vinte e oito jogadores nessa etapa e conseguiu emplacar quatro deles no “Top 10”. Lembrando que, embora só os dez primeiros pontuem, todos são importantes para o time, pois podem tirar pontos das equipes rivais.

Veja como foi a pontuação individual dos vinte primeiros.


Parabéns a todos! Vamos manter a mobilização para garantir os acessos às séries A, onde os desafios serão maiores.

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Solução do desafio

O primeiro lance deve estar gritando: “Sacrifique a torre! Sacrifique a torre!”. Então:

https://share.chessbase.com/SharedGames/share/?p=Oh9K7XRebo46CbJg0RgG807RnA7HpnCAmocRK47i0PhCeEG3QiBOVkgl1sh2ePIp

1.... Tg2+

Eu estava de pretas, percebi o sacrifício e achei que ele era promissor, mas não calculei toda a sequência. Cuidado com 1.... Dh3??.

2. Rg2 Tg8+ 3. Rf3 Df4+ 4. Re2 Tg2+ 5. Rd3

O lance 5.Tf2 teria sido apenas protelatório.

5.... Be4+ 6. Rc4

Se 6. Rd4, seguiria 6.... Td2+ 7. Bd3 Bf3+! 8. Te4 De4++

O rei ameaçava escapar através de b5. Então:

6.... Bd3+!

- Vossa majestade deve voltar!”

7. Rd3 Td2 xeque-mate

Essa foi a linha que joguei. O mate foi em apenas sete lances porque as brancas não jogaram 5.Tf2. Tente comprovar se o mate ocorreria mesmo em oito lances, caso esse movimento tivesse sido efetuado.




sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Paraíba brilha no xadrez on-line

Duas equipes paraibanas estão participando de competições nacionais, ambas com excelentes resultados.

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Batalha por equipes – Brasileirão – Série B


Essa é uma competição fechada a jogadores nativos ou residentes de cada estado. A equipe Paraibanos Nativos para Batalhas está participando da Série B. Os dois melhores times subirão para a Série A.

A disputa terá quatro etapas, duas das quais já foram jogadas. A Paraíba foi vice na primeira; e venceu a segunda. O estado lidera a classificação geral, numa disputa acirrada com estados do Pará e de Pernambuco.

Confira a classificação geral.

Cada série tem a participação de dez equipes. Na Série A, destacamos a performance da equipe do Rio Grande do Norte, que vem ocupando o terceiro lugar geral. Confira abaixo.


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G10 Brasil – Série B


Ao contrário do Brasileirão, esse torneio é aberto a todos os jogadores vinculados a cada equipe participante. A Paraíba está sendo representada pelo “Clube de Xadrez de Campina Grande”.

Já foram jogadas três etapas, de um total de quatro, e a equipe paraibana vem liderando com folga. Após a segunda etapa, a classificação geral era a seguinte:

Classificação após a segunda etapa

Mas, ontem, a equipe paraibana exagerou e venceu a terceira etapa de forma espetacular, colocando uma diferença de 162 pontos em relação ao segundo lugar, e praticamente assegurando o acesso à Série A.

Veja o resultado final da 3ª etapa:


Para realçar ainda mais o seu grande desempenho, a equipe colocou oito de seus jogadores no “Top 10” da etapa, conforme abaixo:

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Parabéns a todos! Vamos manter a mobilização para garantir os acessos às séries A, onde os desafios serão maiores.  








quinta-feira, 10 de setembro de 2020

As crianças nos torneios

 

Crianças jogando - IX Memorial Bobby Fischer 2018

Fonte: Blog Reino de Caissa (19/03/2018)


Por Ary Born

Os que frequentam um salão de jogo de xadrez, jogadores, assistentes... sabem, e observam, a inadequação do “mobiliário" para as crianças jogadoras.

É comum vê-las se contorcendo e procurando se ajeitar para realizar o lance ou acionar o relógio. Elas não sentam, sobem na cadeira, se “empoleiram”. Surgem daí diversas situações; algumas alegres, outras tristes...

Essas situações costumam acontecer entre pais e filhos, em especial, quando ambos são jogadores.

Encontrei-me com o médico enxadrista, mestre Marco Aurélio Cordeiro, no salão onde ocorriam os jogos do floripachessopen 2020, e relembrei o episódio que ocorreu entre ele e o filho. Interrompeu-me e apontou:

- Olha ele ali, naquela mesa.”

Olhei e, na mesa indicada, ele não estava, não! Só que eu havia esquecido que o tempo passa... e procurava por um menino...

O episódio mencionado ocorreu em um dos saudosos torneios que faziam parte da programação da Festa da Uva, de Caxias do Sul. Ele era organizado de maneira peculiar: constava de nove rodadas. O tempo de duração de cada partida era diferenciado.

Participaram, nas diversas edições do torneio, os maiores nomes do xadrez mundial. Por sinal, um deles aparece na foto ao lado (neste blog) acompanhado de Fernando Sá Melo (ou vice-versa). Aliás, a foto deve ter causado inveja ao nosso amigo Joaquim da Esperança (ou de Esperança).

Mestre Cordeiro dividia, então, as atenções e preocupações com as partidas que estava jogando e as que o filho Yan jogava. Levantava com frequência para dirigir-se à mesa onde o menino estava. Em uma dessas oportunidades, constatou que a partida havia terminado. Examinou a posição das peças no tabuleiro. Yan perdera (certamente não por causa da inadequação da "mobília", ou quem sabe...). E resolveu questioná-lo:

- Filho, por que não jogou a Torre na sétima...?”

- Eu não alcancei, pai....”



sexta-feira, 4 de setembro de 2020

O Voo do Capivara – A única derrota de Spassky

Dando continuidade à história da saga de Spassky por terras tupiniquins, temos a satisfação de publicar a partida de sua única derrota.

Ele deu simultâneas em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife (PE). Cada uma delas contra trinta adversários. Na do Recife, participaram jogadores de vários estados do Nordeste. Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará mandaram representantes.

Foi no Recife que Spassky sofreu a única derrota em sua passagem pelo país (+21, =8, -1). A de Brasília, por exemplo, que foi jogada em 23/11/1978, teve o seguinte resultado: 21 vitórias e 9 empates.

Fiz uma pesquisa na Internet, mas não consegui localizar os resultados das demais exibições. Se você, caro leitor, participou de alguma delas, faça um comentário e nos ajude a reconstruir esse momento marcante para o xadrez nacional.

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O grande privilégio de vencer o campeão mundial coube a Expedito Medeiros, de Campina Grande, na Paraíba.

O MF Francisco Cavalcanti deu o seguinte testemunho:

- Participei desse grande evento! Estava ao lado de Expedito e assisti o momento de impacto do GM, quando se viu perdido. Por sinal, sua única derrota no Brasil.”

Diário de Pernambuco de 01/12/1978.

Expedito Medeiros (de óculos) está à esquerda da foto,

com Francisco Cavalcanti ao seu lado.


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Confira a partida. Dá para extrair duas “valiosas” lições dela.


Boris Spassky    x   Expedito Medeiros

Recife – 29/11/1978

https://share.chessbase.com/SharedGames/share/?p=8AvyqwdrJPjO692RDWD+v/9fgHk64WjtTncRpHXTE0Uz2zx13QtesIX2Z9pCgnZQ


1.d4 c5 2.d5 e5 3.e4 d6 4.Cc3 a6 5.a4 f5 6.exf5 Bf5 7.Bd3 Bd3

Apesar de arrojada, a postura adotada pelas pretas foi temerária. A ausência desse bispo deixou as casas de cores brancas sem proteção.

8.Dd3 Cf6 9.Cge2

Uma lance mais agudo teria sido 9.Cf3, ameaçando Cg5, e se 9.... h6 10.Ch4, com amplo domínio na ala do rei.

9.... Cbd7 10.Cg3 Dc7 11.0-0 b6

Uma decisão difícil. Para impedir a5, as pretas geraram mais uma debilidade em suas casas brancas (c6).

12.Cge4 h6 13.f4 c4 14.Dg3 0-0-0 15.f5 Ce4 16.Ce4 Cf6 17.Cf6 gxf6 18.Be3 Td7 19.Dh4 Bg7 20.b3 cxb3 21.cxb3 Db7 22.Tac1+ Tc7 23.Tc7+ Rc7 24.Tc1+ Rd7 25.Dg4 Bf8

Apesar de não ter cometido nenhum erro significativo após a abertura, o segundo jogador ficou em sérias dificuldades: rei no centro, peças desarticuladas e casas de cores brancas debilitadas.

26.Tc6

Spassky tinha a opção de invadir a posição com 26.Dg6, mirando o rei, com efeitos devastadores. Por exemplo:

26.Dg6 Be7 (26.... Re7 27.Bf2 Dd5 28.Bb6, seguido de Tc7) 27.Df7 … (ameaçando De6+ e Bb6) 27.... Tb8 28.Tc6 h5 29.Bg5 Tf8 30.De6+ Rd8 31.Be3 etc.

Se as pretas capturassem o bispo, então 29.... fxg5 30.f6 Rd8 (se 30.... Te8 31.De6+ Rd8 32.fxe7+ Te7 33.Dd6+ Re8 34.Df6 Rd8 35.d6) 31.fxe7 De7 32.Dg8+ De8 33.Dg5+ De7 34.Df5+ Rd8 35.Df6+ De7 36.Td6+, ganhando.

Mas preferiu um objetivo mais humilde: o peão de b6.

26.... Be7 27.Bb6?

A oportunidade que as pretas esperavam. Com 27.De4, as brancas ainda manteriam uma vantagem significativa.

27.De4 b5 28.Tb6 Da8 29.axb5 axb5 30.Dd3 Re8 31.Db5+ Rf7 32.h3 ...

27.... Tc8!

E as pretas voltaram a respirar. Por exemplo: 28.a5 Tc6 29.Da4 Dc8 30.g4 Bf8 31.Rg2 Da8 32.Rg3 Db7 33.Rh4 Da8 34.dxc6+ Dc6 35.Dc4 Dc4 36.bxc4 Re8, e teríamos uma luta de bispo bom contra bispo mal, mas com boas possibilidades de defesa.

28.Tc8??

Perdendo uma peça! Qual a explicação para um erro de tamanha magnitude? Tenho duas hipóteses:

1ª) É o que Krogius descreveu como “imagem residual”. Quando Spassky jogou Tc6 no 26º movimento, já tinha decidido que capturaria o peão de “b” com o bispo, o qual, por sua vez, estaria defendido pela torre.

Então, quando ele fez 28.Tc8, em sua mente o bispo ainda estava protegido. “La presencia de imágenes residuales causa la invariabilidad em el pensamiento y disminuye la variabilidad de la atención” (La Psicologia em Ajedrez, p.23).

2ª) Spassky simplesmente não percebeu que a dama capturaria o bispo com xeque.

Eu prefiro a segunda hipótese, pois dela poderemos extrair a primeira lição: “cegar” não é exclusividade de capivaras.

28.... Db6+

Deve ter sido nesse momento que Spassky percebeu que estava perdido, conforme relato de Francisco Cavalcanti.

29.Rf1 Rc8 30.Dc4+ Rb7 31.b4 Dc7 32.Dc7 Rc7 33.g4 Rb6! 34.Re2 a5 35. Brancas abandonam

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Como você viu, depois de 28.... Db6+, o jogo ficou sem esperanças, mas Spassky insistiu em continuar. 

Daí extraímos a segunda lição: gênios também “esperneiam”.


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Torneio Paraibano por Equipes

O Clube de Xadrez de Campina Grande está organizando o Torneio Paraibano por Equipes. A competição será jogada no próximo dia 07/07/2020, às 21:00, em etapa única. Ela é aberta a todos os paraibanos nativos e aos residentes no estado.

Foram formadas cinco equipes. Os links estão abaixo. Escolha a sua e venha participar de mais esse grande evento.

https://lichess.org/team/campina-topchess       - Líder:  Sérgio Farias

https://lichess.org/team/carcara-team      - Líder:  Rondinelle Pessoa

https://lichess.org/team/dura-lex-sed-lex-ajedrez      - Líder:  Rafaell Montenegro

https://lichess.org/team/pelo-amor-de-caissa-joguem-no-meu-time  - Líder: Marcello Urquiza 

https://lichess.org/team/zebra_pb       - Líder:   MN Evandro Silva

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Segue o link do torneio.

https://lichess.org/tournament/F3PBufZ3










sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O Voo do Capivara - “Tablas?”

1.e4

1.d4

O Salão Nobre do Clube Internacional do Recife estava apinhado de gente. Percebia-se a expectativa criada. Um frenesi contido. A imprensa registrava tudo daquele momento histórico para o xadrez pernambucano.

No centro do salão, formou-se um retângulo com 30 mesas. No seu interior, a imponente figura do Campeão Mundial Boris Spassky (1969/1972) se aproximava do meu tabuleiro.

1.e4

1.d4

Então, ele parou à minha frente, me cumprimentou, deu seu lance...

1.e4

e seguiu o seu caminho, sempre revezando os lances iniciais. Eu tinha o tempo equivalente a 29 passos para decidir o que jogar.

Eu (primeiro à esquerda da foto, com a mão no rosto). Jarbas Belens, Diosman Marinho e Fernando Daher na sequência.

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Só por esse momento, já teria valido a pena ter participado da simultânea que ele deu em 1978. Era uma grande honra enfrentar aquela figura icônica do xadrez mundial. O resultado da partida era o que menos importava. Já era uma vitória estar ali.

Aliás, tive de passar por uma pequena odisseia para conseguir jogar. Primeiro, para conseguir uma vaga, pois o evento despertou grande interesse, inclusive de enxadristas de outros estados. Mas, como eu era um assíduo sócio do Clube de Xadrez do Recife, fui um dos primeiros a tomar conhecimento da simultânea. Busquei logo garantir a minha participação.

Com a presença assegurada, a questão então era levantar o dinheiro para pagar a inscrição. Note que tive de recorrer ao velho e bom fiado, pois o valor não cabia no orçamento da minha mesada. Teria de recorrer a meu pai, que , à essa altura, já andava preocupado com minha exagerada dedicação ao xadrez. Não lembro dos argumentos que utilizei, mas, como visto, foram convincentes.

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Voltemos ao jogo.

Naquela época, eu era aficionado da Defesa Francesa, mas decidi jogar a Pirc, com a qual não tinha familiaridade. Não me recordo qual foi o motivo. Se foi uma decisão de momento, se fiz alguma preparação específica para o evento ou, de repente, vai ver, eu quis “surpreender” Boris Spassky...

Ops! Peço vênia, meu sisudo leitor. Não leve muito à sério essa última hipótese.

O jogo enveredou pela nada surpreendente variante Clássica da Pirc. Lá pelas tantas, Spassky jogou “d5”. Então, cuidei em providenciar o temático “f5”. Ocorreu uma liquidação de peças menores, restando no tabuleiro as damas e as torres, além de um bispo para cada.

Foi quando percebi uma manobra interessante. Mas é melhor você conferir a partida. Ela é curtinha.

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Boris Spassky x Marcello Urquiza

Recife (PE) – 29/11/1978

https://share.chessbase.com/SharedGames/share/?p=8akGdu0lPsg/DgzynqPNosaBWBo/ko6moMHezA4QuLGhagdgWN8CbVlp3rJy/Z7k 

1.e4 d6 2.d4 Cf6 3.Cc3 g6 4.Cf3 Bg7 5.Be2 0-0 6.0-0 Bg4 7.h3 Bf3 8.Bf3 e5 9.Be3 Cc6 10.d5 Ce7 11.g3 Cd7 12.Bg2 f5 13.Dd2 Cf6 14.exf5 Cf5 15.Ce4 Ce4 16.Be4 Ce3 17.De3 Dd2

Início de uma pequena manobra que, julguei, melhoraria a posição da dama. Ataque ao peão “h” para ganhar tempo.

Skassky respondeu “en passant”...

18.Rg2 Db5

Segundo passo da manobra. Outro ataque. Na verdade, um pseudoataque. Eu não estava interessado naquele peão.

Novamente, Spassky mal parou à minha frente. Respondeu rapidamente, protegendo o peão de “b”, e seguiu caminho...

19.b3 Db6

Fim da singela manobra. Entendi que a pressão exercida sobre o ponto “f2” praticamente obrigaria a troca das damas.

Dessa vez, ele estancou. Fez uma expressão de surpresa, pôs as mãos sobre a mesa, olhou para onde minha dama estava apontando, esboçou um leve sorriso e então...

- Tablas?”

Você conhece um super-herói chamado “The Flash”? Aquele que possui “supervelocidade”? Pois bem. Eu acho que o incorporei, tal foi a rapidez com que estiquei meu braço para cumprimentar o campeão!

20.Empate.

Posição final da partida. Dr. Fritz disse que as brancas não necessitavam trocar as damas e que, ademais, estavam com o jogo um pouco melhor. Mas eu não me importo com a opinião dele. A que vale é a de Spassky.

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- Ele vai voltar para assinar a súmula. Tire a fotografia no momento que nos cumprimentarmos. Preste atenção!”

Não verbalizei essa fala aí, não! Tinha de respeitar o silêncio. Só estou tentando traduzir a discreta gesticulação que fiz para um amigo. É que eu tinha comprado uma máquina fotográfica descartável da Kodak – naquele tempo tinha dessas coisas, viu? - e pedi para ele tirar as fotos.

E ele o fez. Eu tenho a fotografia do momento do aperto de mão, mas 27 anos é muito tempo. Esse foi o período em que estive afastado do xadrez. Ela deve estar em algum recôndito insuspeito aqui em casa.

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No dia seguinte, o Diário de Pernambuco estampou a notícia: “Paraibano venceu Spassky na grande noite do xadrez”.

Foi Expedito Medeiros, de Campina Grande, que venceu sua partida de forma brilhante. Mas meu nome também estava relacionado na matéria. Então, quando o jornal chegou lá em Bom Conselho, foi aquela repercussão. Um filho da terra tinha empatado com um campeão mundial de xadrez!

e foi assim que ganhei os meus 15 minutos de fama.

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Resultado final da simultânea:

  • 21 vitórias

  • 08 empates

  • 01 derrota.






quarta-feira, 26 de agosto de 2020

FPBX cancela o Mem. Bobby Fischer de 2020

A Federação Paraibana de Xadrez (FPBX) comunica aos enxadristas em geral que, por deliberação de sua Diretoria, resolveu cancelar o XI Aberto do Brasil – Memorial Bobby Fischer (XI MBF) que estava marcado para março do corrente ano e que fora adiado, em princípio para novembro próximo, em razão da pandemia do coronavírus.

A decisão decorre da permanência do quadro de incertezas associado à pandemia, notadamente em razão da ausência de uma vacina no curtíssimo prazo, que pudesse conter o vírus até a nova data que foi pré-agendada para o evento. Ao contrário, o que se observa, no atual momento, a menos de 3 meses do que seria a realização do torneio, é a manutenção da gravidade do contexto sanitário, com a persistência da média diária de cerca de mil óbitos no país, provocado pelo covid-19.

Diante de tal cenário, não restou outra alternativa à FPBX senão a de cancelar em definitivo o XI MBF em 2020, a fim de preservar a saúde dos enxadristas e de seus familiares, bem como para evitar o provável esvaziamento do torneio, ante o previsível e fundamentado receio da maioria dos jogadores, já sinalizado por alguns deles mais próximos, em participar do evento diante desse sentimento de temor e de incertezas.

Vale dizer, por outro lado, que fica resguardada a possibilidade da realização desta edição do MBF, em 2021, em data a ser ainda definida, no caso do restabelecimento da normalidade sanitária no país.

Os jogadores que já estavam inscritos no XI MBF poderão requerer, a qualquer tempo, a devolução do valor da sua inscrição, pelos mesmos canais utilizados no ato da inscrição. Aqueles que não o fizerem, seguirão, porém, com a inscrição garantida para a edição desse torneio que vier a ser realizada no próximo ano.

No tocante às reservas de hospedagem já realizadas no local do evento, as mesmas estarão asseguradas para o próximo MBF que vier a ser realizado, em data ainda indefinida, nos termos da legislação vigente, e segundo informações obtidas junto à gerência do Littoral Hotel, condição essa que deverá ser confirmada diretamente pelos interessados junto ao Hotel, por meio do número de contato contido no Regulamento do evento (disponível ao lado).

No mais, a direção do torneio coloca-se à disposição dos interessados, nos canais disponibilizados pelo Regulamento do Torneio (link na coluna ao lado do blog), para outros esclarecimentos que se fizerem necessários.


Diretoria de FPBX

Agosto /2020