sábado, 18 de novembro de 2017

Peões metafóricos

Por Rewbenio Frota

Era final de tarde, a luz do dia decantava-se pouco a pouco no horizonte; também para o sol, a jornada de trabalho chegava ao fim. Dirigi-me a um café, onde por muitos anos cultivo o hábito de observar os últimos momentos de claridade ouvindo conversa distantes ou perdido em pensamentos, enquanto sorvia lentamente um expresso sem açúcar.

Um coro de vozes exaltadas ao fundo chamou-me a atenção. Guiados pelo som, meus olhos correram até uma mesa de canto onde havia mais garotos que cadeiras. “São estudantes”, pensei entre um gole e outro.

– Eu garanto que é assim: o peão que chega ao final do tabuleiro só pode ser trocado por uma rainha.

– Que rainha!? É dama, seu energúmeno!

Os risos e brincadeiras por um momento suspenderam o embate, até outro rapazote colocar mais lenha na fogueira:

– O peão pode ser trocado por qualquer peça, isso é óbvio, já vi meu avô fazendo isso. Mas ele me disse que vai depender…  se, ao final, o peão alcança uma casa onde começa um cavalo, ele é trocado por cavalo, onde começou um bispo, é trocado por um bispo, e assim por diante.

– Que absurdo! E se for na casa onde começa o rei?

– Ah, aí como não pode pedir outro rei, ele é trocado pela dama.

– Pelo que sei só podemos trocar o peão por uma peça que já tenha sido perdida pro adversário. Senão o peão nem pode ser avançado, tem que esperar na sétima fila até que a peça desejada suma do tabuleiro.

Outro menino levantou a voz em tom mais alto que os demais para poder ser ouvido.

– Nada disso, o peão pode ser avançado sim, mesmo que ainda não possa ser trocado por outra peça. Mas ele fica lá, imune. Não pode ser capturado.

– Não faz sentido! Um peão parado lá no fim do tabuleiro, sem poder mais se mover, sem poder capturar outras peças, não pode nem dar xeque!? Não serviria para nada. O que realmente acontece é que o peão ganha o direito de ser trocado por outra peça quando chega ao final do tabuleiro, mas a troca só pode ser realizada quando ele retorna até a segunda fileira, de onde partiu no começo da partida!

Por um átimo os demais se entreolharam calados, surpresos com aquela nova possibilidade, mas logo gritaram em uníssono:

– O quê????

– Calma, eu explico. Quando o peão chega na última casa, além de ganhar o direito de ser promovido, ele também passa a poder andar para trás, pulando duas casas por jogada, assim em três lances ele retorna para a segunda fileira do tabuleiro e só aí pode ser trocado pela peça escolhida.

Aqueles jovens falavam de um jogo do qual eu não lembrava há muitos anos. Também na minha juventude eu participara de discussões apaixonadas como aquela: sobre tomadas en passant, roques, afogamento do rei etc. Eram conjecturas de meninos que aprendiam o jogo às pressas, sem ler regras aprofundadas ou manuais, mas que tinham a curiosidade aguçada pelas situações práticas que enfrentavam em suas partidas experimentais. Sem saber, os principiantes refazem, nessas discussões, diferentes variações que realmente ocorreram no jogo ao longo dos séculos, em sua evolução até o formato atual.

Ainda ouvia as vozes acaloradas ao fundo, mas já eram como as vozes de meus amigos de rua e de escola, como se eu voltasse a ser um aprendiz dos primeiros encantos do xadrez. Nem percebi o pôr do sol, e o meu café também já tinha acabado. Por impulso, olhei o fundo da xícara, e não me surpreendi ao notar que a borra havia formado a indistinta silhueta de um cavalo. Paguei a conta e dirigi-me à saída. Porém, a dois passos da porta, resolvi voltar e dar minha contribuição à acalorada disputa.

Os garotos se calaram, desconfiados de minha repentina aproximação. Mas, como quem dá um xeque a descoberto, não dei tempo para perguntas:

– Quando eu jogava, sempre escolhia trocar meus peões que chegavam ao final por um cavalo.  Sabem por quê?

Seus olhares curiosos foram a resposta que queria:

– É que naquele tempo, se você promovesse o peão a cavalo, imediatamente podia fazer uma jogada com ele!

Não esperei pelas reações. Virei-me e sai rapidamente, certo de que aqueles meninos logo consultariam algum manual e descobririam que um peão que chega ao final do tabuleiro pode ser trocado por qualquer peça (exceto o rei), não importa quais peças ainda estejam no tabuleiro.

No percurso até minha casa, um tanto nostálgico, pensei sobre a fortuita metáfora que podia ser feita com base nas cenas e conversas que acabara de presenciar: aqueles garotos eram como peões que seguiam seus primeiros passos nos caminhos da vida.

Quanto a mim? Bem, no momento estou no final do tabuleiro, imune e quieto, esperando a chance de dar alguns passos para trás… até a casa inicial, para receber minha merecida promoção.

Nos tempos da Filatelia!


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Realizado Circuito em Campina Grande

Dirigente e participantes do Circuito FPBX - Etapa Campina Grande, no Clube Campestre



Ivanilsom e Fernando Melo dirigentes do Circuito FPBX - Campina Grande
Luiz Tomaz - primeiro lugar





Rafael Wanderley: segundo lugar
Evandro Rodrigues: terceiro lugar



Apoiadores do Circuito FPBX
Missão cumprida! Com 26 participantes e uma boa delegação de Campina Grande, foi realizado ontem, 15 de novembro, a 1ª etapa do I Circuito FPBX - Um por todos todos por um, com direção de Fernando Melo e arbitragem do AR Ivanilsom Pereira. O vencedor foi o pessoense Luiz Antonio Tomaz, que somou 6 em 6 pontos, com 100% de aproveitamento. O troféu lhe foi entregue por Laudeci Simões (Cidinha), gerente do Clube Campestre e representante do presidente Alex Marcolino.  

Os 26 participantes, pela ordem de classificação, foram os seguintes:
1º) Luiz Tomaz, 6 pontos; 2º) Rafael Wanderley, 5; 3º) Evandro Rodrigues, 4; 4º)Thiago Ribeiro, 4; 5º) Fagner Lima, 4; 6º) Doriedson Lemos, 4; 7º) Antonio Gomes, 4; 8º) João Tejo, 4; 9º) Fabson Palhano, 3,5; 10º) Robson Pequeno, 3,5; 11)º Lincoln Oliveira, 3,5; 12º) Antonio Dutra, 3; 13º) André Luis, 3; 14º) Antonio Sobral, 3; 15º) Francisco Neris, 3; 16º) Hamilton Nobrega, 3; 17º) Rodrigo Canônico, 2,5; 18º) Vinicius Canônico, 2; 19º) Eny Moura, 2; 20º) José Leonardo, 2; 21º) Genildo Gomes, 2; 22º) Marcos Oliveira, 2; 23º) José Arimateia, 2; 24º) Adalberto Monteiro, 2; 25º) Marcelino Maciel, 1; 26º) Artur dos Santos, 0. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Estamos chegando, Campina Grande!

CHEGOU A HORA!

 CAMPINA GRANDE . DE BRAÇOS ABERTOS, ESPERA OS ENXADRISTAS PARAIBANOS PARA O I CIRCUITO FPBX - UM POR TODOS, TODOS POR UM!

O CLUBE CAMPESTRE ABRE SUAS PORTAS PARA RECEBER A TODOS.

 CAMPINA GRANDE, É HOJE CAPITAL DO XADREZ PARAIBANO!

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Contamos com sua presença!

O lindo troféu do I Circuito FPBX
O I Circuito FPBX - Um por todos, todos por um, é muito significativo, historicamente falando, para os que participam das atividades enxadrísticas no Estado da Paraíba. Essa será a primeira vez que a Federação Paraibana de Xadrez realizará um torneio fora de João Pessoa,  com esse projeto de interiorização.

Os enxadristas Antonio Sobral (Alagoa Grande), Fabson Palhano (Campina Grande), Genildo Gomes (João Pessoa), Rodrigo e Vinicius Canonico (ambos de Campina Grande) já estão devidamente inscritos. Quem ainda não se inscreveu pode fazê-lo no local do evento, até às 13 horas da quarta feira.

(Veja mais no Regulamento e nas matérias publicadas neste blog e no blog da Federação a respeito do Circuito.) 

É importante que os enxadristas paraibanos prestigiem esse evento, mostrando assim nossa força, a força de todos para o engrandecimento da arte de Caíssa.

Portanto, depois de amanhã, no feriado de quarta-feira, o Clube Campestre de Campina Grande abrirá suas portas para prestigiar esse Circuito. Muitas surpresas vão ocorrer e quem for prestigiar poderá constatar com alegria que o xadrez da Paraíba está crescendo no conceito da sociedade. Lembre-se que sua presença é importante, porque juntos somos mais fortes!

Master Pessoense

Será hoje, às 20 horas, na Academia Caldas Vianna, a 7ª rodada do Master Pessoense U1900, com os seguintes embates:

1 - Luciano Galdino x José Mário
2 - Alexandre Cesar x Antonio Dutra
3 - Petrov Baltar x Fernando Melo
4 - Hamilton Nóbrega x Eny Moura
5 - Diego Guerra x Genildo Gomes

domingo, 12 de novembro de 2017

Sobre partidas imortais

 Por Rewbenio Frota
           
A última semana trouxe à luz uma das mais espetaculares partidas dos últimos anos, digna de figurar ao lado de disputas famosas como a 'Partida Imortal' ou a 'Partida Sempreviva', trata-se do duelo entre os GMs chineses Jinshi Bai (2553) e Liren Ding (2772), este último com as peças pretas.

Ding explorou o rei branco exposto no centro do tabuleiro e, com uma fantástica combinação iniciada com sacrifício de dama, levou todas as peças restantes a um ataque de desenlace triunfante. Os aficionados logo bradaram: a imortal chinesa!

A despeito de a partida acima realmente ser de grau superior, o epíteto “Imortal Chinesa” já foi atribuído a outra partida histórica para o xadrez chinês: Liu Wenzhe x Jan Hein Donner (Olimpíadas de Xadrez de 1978). Foi a primeira vez que a China mandou uma delegação para as olimpíadas e foi a primeira vitória de um mestre chinês (que à época ainda não tinha grandes mestres) sobre um GM ocidental. Há uma lenda, que pode ter contribuído para esse batismo, de que Donner teria dito após a partida, de modo anedótico “Agora eu serei o Kieseritzky da China”, em referência ao perdedor da ‘Partida Imortal’.

Ao longo dos anos, têm aparecido partidas belíssimas que recebem títulos locais de imortalidade. Assim, temos a ‘Imortal Brasileira’ – Caldas Viana x A. Silvestre Barros (Rio de Janeiro, 1900), a ‘Imortal Polonesa’ – Glucksberg x Miguel Najdorf (Varsóvia, 1929). Também há imortais por jogador: a ‘Imortal de Steinitz’ – Wilhelm Steinitz x Conde von Bardeleben (Hastings, 1895); imortais por tema, como a ‘Imortal do Zugzwang’ – Friedrich Saemisch x Aron Nimzowitsch (Copenhagen, 1923). Pode haver imortais por aberturas, por cor de peças etc. Cada jogador, por mais fraco que seja, guarda em seu coração sua partida própria inesquecível. As possibilidades são infindáveis.

Partidas brilhantes, como essas acima, ficam perenizadas na mente de aficionados e mestres. Independente do nome que lhes damos, permanecerão longos anos (ou séculos como a ‘Imortal’) a encantar gerações de enxadristas, para que jamais se esqueça que o xadrez nunca foi nem será um jogo qualquer!

Jogos Escolares

Os campeões Luiz Freire e Jamely Silva

Foi realizado ontem, na Estação Ciência do Cabo Branco, mais uma edição dos Jogos Escolares da Prefeitura Municipal de João Pessoa, Categoria 12/14 anos,  realização Defise e Projeto Xadrez Escolar. A coordenação do evento foi  do MF Francisco Cavalcanti, com arbitragem do Professor Fabiano Andrade de Araujo, com  apoio do Professor Ulysses. Atuaram com auxiliar da arbitragem as Professoras Kobayashi, Polyana, Nilda, Alana, Aline e Valquíria.
Na classificação masculina. o pódium foi formado por: 1º) Luiz Freire(Escola Municipal Durmeval Trigueiro), 2º) Diogo Gomes (Escola Municipal Padre Pedro Serrão) e 3º) Mateus Assunção (Escola Municipal Leonidas Santiago). Na classificação feminina, o pódium ficou assim: 1º) Jamely Silva (Escola Municipal Euclides da Cunha), 2º) Sandryele Oliveira (Escola Municipal Duarte da Silveira) e 3º) Maria Júlia (Escola Municipal João Santa Cruz).

Uma panorâmica dos enxadristas  salão dos jogos com a direção e arbitragem ao fundo.

sábado, 11 de novembro de 2017

Um belo troféu!

O vencedor do I Circuito FPBX - Um por todos, todos por um, - etapa Campina Grande, vai levar par acasa esse rico e belo troféu, doado pelo presidente do Clube Campestre de Campina Grande, Alex Marcolino. 

O torneio, que valerá Rating FIDE-Ativo, será realizado no ginásio do Clube Campestre, na próxima quarta-feira, 15 de novembro, feriado da Proclamação da República, e reunirá enxadristas de várias cidade da Paraíba.

A direção é de Fernando Melo e arbitragem do AR Ivanilsom Pereira. Veja Regulamento no  fpbxadrez.blogspot.com.br. As inscrições se encerram às 13 horas do dia 15, no local dos jogos. A primeira rodada, num total de  6, começa, impreterivelmente, às 14 horas, com o tempo de 15 minutos nocaute, ou 10m+05s. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

II Copa Caldas Vianna

Neste sábado, dia 11, às 14 horas, a Segunda Etapa (Quartas-de-Final) da II Copa Caldas Vianna, que conta com 8 participantes. Os 4 pares, que se enfrentam duas vezes, são os seguintes:

Luiz Tomaz x Alejandro Gonzalez
Fagner Lima x Fernando Melo
Fabson Palhano x Luiz Jales
Marcos Valério x Silvio Sá.

Inteligência privilegiada!

A capacidade de Ítalo Dantas percorrer os labirintos caissianos é admirável
Ítalo conhecendo Bobby Fischer









Quem conhece o jovem Ítalo Dantas sabe que ele tem uma inteligência privilegiada.  Ele agora está descobrindo a ciência, a arte e o jogo de xadrez e, sinceramente, não está decepcionando! Das poucas aulas que tivemos, o que impressiona é sua determinação. Acredito que, em pouco tempo, Ítalo vai aprender o necessário para participar de um torneio. Será uma boa oportunidade para sabermos até que ponto um jovem de apenas 13 anos, mas com a cabeça de 50, pode mostrar sua capacidade diante de um tabuleiro de xadrez. Estou confiante e ele mais ainda! Vamos aguardar.