domingo, 5 de abril de 2020

Desventuras de um Capivara III – Vade Retro!

Por Marcello Urquiza

“A mão invisível do mercado” foi um termo cunhado pelo filósofo e economista Adam Smith, lá pelos idos de 1759, e que hoje caracteriza determinada teoria econômica. “A mão invisível da capivara” é uma hipótese parapsicológica, levantada pelo ilustre capivara que vos escreve. Abordarei esse tema com maior profundidade nas linhas que se seguem.

Estávamos na 4ª rodada do XII Memorial Governador Miguel Arraes – Nordestão 2019, lá em Recife (PE). Tinha sido emparceirado com o MF Francisco Cavalcanti, um dos mais importantes jogadores da Paraíba. Salve, grande Chiquinho!

MF Francisco Cavalcanti x Marcello Urquiza
Nordestão 2019 – 31/08/2019

1.Cf3  Cf6  2.d4  d5  3.c4  dxc4  4.Da6  c6  5.Dc4  Bg4  6.Ce5

Já conhecia essa posição. Dias antes, eu tinha participado de um torneio de rápidas em João Pessoa (PB). Na partida com Petrov Baltar, tive a seguinte dúvida: se jogo Be6,  vou atrapalhar o desenvolvimento da ala do rei; com Bh5, eu temia que meu bispo ficasse fora do jogo. Depois de alguma reflexão, resolvi tomar uma decisão salomônica. Nem e6 e nem h5. Iria jogar Bf5! 

Gostaria de ter visto minha expressão quando Petrov fez 7.Df7 – xeque-mate! Tinha acabado de levar um mate pastor!!

6.... Bh5  7.Cc3  e6  8.e4  Cbd7  9.Cd7  Dd7 

Pensei em jogar Cd7, mas, lhe confesso, não o fiz porque não gostei da estética da posição. Pode isso? O certo é que, agora, minhas peças não estavam coordenadas para apoiar a ruptura central.

10.f3  Be7  11.Be3  0-0  12.Be2  Tac8  13.0-0  b5  14.Dd3  Tfd8  15.Tfd1  Db7  16.Dc2  Cd7

Preparando a ruptura. Posição que o cavalo deveria estar desde o 9º lance.

17.a3  Bg6  18.Db3  a6  19.Tac1  c5  20.dxc5

Se 20. d5, as pretas jogariam c4, seguido de Cc5, com bom jogo. Depois de dxc5, a posição está igualada.

20....  Cc5  21.Da2  Td1  22.Td1  Dc7  23.Tc1  Db8  24.b4  Cd7  25.Bf1  Bd6   26.g3  Ce5  27.Rg2  h5  28.Bf2  Cc4?! 

Pura insegurança. Quis liberar a diagonal para jogar h4. E por que não jogá-lo imediatamente? Mestre Chiquinho, certamente, não iria fragilizar seu rei com gxh4.

29.Cb1

Deixando escapar a oportunidade de tomar a iniciativa do jogo com 29.Ca4!.

29.... Ce5  30.Tc8  Dc8  31.Dd2  Dc7  32.Cc3  h4  33.Be2  hxg3  34.hxg3  Dc6  35.Dd4  Cd7 36.Cd1  Be5  37.Da7  f5  38.exf5  Bf5  39.Ce3  Bg6  40.Cg4  Bb2  41.De3  Bf5  42.Dg5  Bg4 43.Dg4  Cf6  44.Dg6  Be5  45.Bc5  Bb2  46.Dd3  Dd5  47.De3  Rf7  48.Rf2  Da2??

Veja bem, caro leitor, sob o olhar objetivo do Dr.Fritz, esse lance não compromete a partida, desde que o peão não seja capturado e a dama retorne ao seu posto. Então por que as duas interrogações? Porque a decisão de capturar já estava tomada.



A posição do diagrama lembra a política de dissuasão praticada durante a Guerra Fria. EUA e URSS tinham, cada qual, um monte de bombas atômicas. Aí um dizia ao outro: “se você jogar uma bomba em mim, eu jogo outra em você!”. E, assim, vivemos por um tempo sob aquele frágil equilíbrio.

Mesma situação nessa partida. As damas representam as bombas.  Resolvi atacar um alvo insignificante, num cantinho bem distante do território inimigo, com Da2.

“-É assim? Então vou jogar uma bomba na capital do seu território!”

Caro leitor, você há de concordar comigo. Salvo umas poucas imprecisões, eu tinha feito um bom trabalho até esse momento. Tive a cautela de não capturar o peão de “a3” nos lances 43 e 44. Temia me expor a um ataque. A posição estava igualada, e a partida se encaminhando para um justo empate. Como explicar a mudança no meu comportamento? Tenho uma hipótese, mas só a apresento depois.

49.Df4  Da3   (49.... Dd5=)   50.g4?

50.Dc7 seria decisivo. Algumas linhas:

a) 50.... Rg6  51.Dd6  Cd5 (Para qualquer outra resposta, as brancas jogariam Bd3, com ataque só defensável mediante entrega de material) 52.De6  Cf6  53.Dd6, voltando a ameaçar Bd3, agora sem a possibilidade de defesa através de Cd5.
b) 50.... Rg8  51.Dd8, seguido de Bd3.

Agora, as pretas têm a chance de igualar novamente.

50....  Bc1  51.Dc7  Rg6  52.Bf8

-x-x-x-x-

Parem o filme!  Essa é a posição que vai embasar minha hipótese!


Você já deve ter percebido que as brancas ameaçam mate com Dg7. Dê mais uma olhada no diagrama. Percebeu que Bd3 é também outra ameaça muito séria? A essa altura, eu já tinha visto  tudo isso. Então concluí que necessitava manter minha dama em “a3”, para defender Bd3, e que, portanto, Bh6 era forçado.

Tanto é que, nas conversas que mantive com Dr. Fritz, ele argumentou que, para Bh6, a melhor resposta seria 53. De5, com igualdade.

Então, convicto da necessidade de Bh6, joguei...

-x-x-x-x-

52.... De3+??

“Endoidou, foi?”. Sei não. Mas sabia que, agora,  a dama tinha de  fazer a defesa simultânea dos 02 pontos ameaçados. Tarefa impossível.

Nas análises “post-mortem”, Mestre Chiquinho argumentou que responderia a Bh6 com g5. Vejamos o que aconteceria: 52.... - Bh6  53.g5  Bg5  54.Dg7  Rf5 e, apesar dessa preocupante   posição, o rei não está acessível às brancas. Paradoxalmente, o rei branco é quem está mais exposto agora. As pretas têm acesso através de “e3” ou “h4”.

Seguiu:

53.Rf1  Ch5  54.gxh5  Rh5  55.Dg7  Df4  56.Dh7  Pretas abandonam.

-x-x-x-x-

Ainda nas discussões do “port-mortem”, quando fiz a defesa enfática de Bh6, Mestre Chiquinho perguntou:

“ - E por que não jogou?”

“ - Sei lá. Alguma loucura.” Respondi.

Porém, Dr. Fritz apresentou uma alternativa. E se 52.... Ce4+, ao invés de Bh6?  As linhas abaixo são algumas das possibilidades:

a) 53.fxe4  De3+  54.Rf1 (Se 54.Re1  Dg1+)  54.... Dh3+  55.Re1  Bh6 (Ameaçando Dh1 e Dc1. Note que o rei preto não está acessível). 56.Dd6  Dc1+  57.Rb3  Db1+, com possível empate.
b) 53.Rf1  Dc3  54.Dd7  Cg3+  55.Rf2  De3+  56.Rg3  Dg1+  57.Rh3  Dh1+, com empate.

É possível que eu tenha vislumbrado essa alternativa e que, ao tentar executá-la, tenha invertido a ordem dos lances? Se você é daqueles que buscam respostas racionais a determinados fenômenos, então vai concordar: “-Sim. É possível que você tenha intuitivamente percebido”.

Quanto a mim, prefiro me garantir. Sabe-se lá se não foi aquela mãozinha, que citei no primeiro parágrafo, quem me obrigou a jogar De3! Então...

Vade retro, capivara!

domingo, 22 de março de 2020

Desventuras de um Capivara II – Fui querer ganhar bonito...

Por Marcello Urquiza


Era a 9ª rodada do Continental 2019, lá em São Paulo. Meu adversário seria um jovem talento paulista, o Enzo Federzoni. Pouco antes do início da partida, a direção do torneio anunciou que, quem estivesse com 50% dos pontos a partir daquela rodada,  faria jus ao título de Mestre Nacional.

Oba! Eu estava com 4 pontos. Um empate já me daria o título. Fiz cara de “pidão” para o Enzo, mas ele fez cara de paisagem. Então vamos jogar. Fazer o quê?

Marcello Urquiza   x   Enzo Federzoni
Continental – 11/07/2019

1.e4  c5   2.Cf3  d6   3.d4  cxd4   4.Dd4  Cc6   5.Bb5  Bd7   6.Bc6  Bc6  7.Cc3  e5  8.Dd3  h6  9.Cd2  Cf6   10.Cc4  b5   11.Ce3  Be7   12.Cf5  g6   13.Ce7  De7   14.0-0  b4   15.Cd5  Bd5  16.exd5  Db7  17.Td1  Rf8  18.c4  bxc   19.bxc3  Rg7   20.Ba3  Dc7   21.Tac1  Cd7   22.c4  Cc5  23.De3  Tac8  24.f4  e4  25.Bb2  f6 
         
Meu próximo lance implicaria no sacrifício de uma qualidade. Após uns 20 minutos de indecisão, tomei coragem e resolvi seguir o plano.

26.g4  Cd3  27.Td3  exd3  28.g5  The8  29.Bf6  Rh7
           
Dr. Fritz, o que acha desse lance?  “- É duvidoso. Melhor teria sido 29. … - Rf7”. Paradoxal, né? As brancas têm um ataque que aparenta ser promissor. Por que  então  colocar o rei numa casa onde, em tese, ficaria mais exposto?  Porque em f7 ele estaria mais próximo do centro no final que se aproxima. Por outro lado, em h7 ele estará sujeito a sérias ameaças,  caso a torrre branca alcance a 7ª ou 8ª filas.

30. Dd3  Dd7  31.h3  h5  32.Rg2  Df5  33. Df5  gxf5  34.Rf3  Te4?

Sem perceber as possibilidades táticas da posição, as pretas vão avidamente em busca do peão de c4. 34....  Tc5=.

35. c5!
            
As pretas não podem tomar o peão “c” em  hipótese nenhuma, pois o seu colega em “d” passaria incólume. Vou deixar a confirmação dessa afirmativa a seu cargo, caro leitor. Mas meu adversário chegou à mesma conclusão e preferiu jogar:

35....  Ta4

A posição resultante é a razão dessa postagem. (Diagrama abaixo).





O que você faria agora? Pensei em jogar c6, que é um lance muito bom. Mas Dr.Fritz está me dizendo que existem opções ainda melhores. Você deve estar se perguntando:  “Oxente, então o que foi que assucedeu?”. Ok. Vou tentar fazer uma avaliação da posição depois de c6. Depois eu conto o que se passou. 

Kasparov disse que há 03 dimensões no xadrez: a material, o tempo e a qualidade. Vejamos:

- na dimensão material, as pretas, caso tomassem o peão de a2, teria torre (5) por bispo e peão (3+1). Em termos absolutos, teriam vantagem material.

- e na dimensão qualidade? A torre preta de c8 vale mais do que o bispo branco? O rei preto está melhor posicionado que o  branco? As pretas têm um peão com força equivalente ao do peão “c”? Não, não e não. A única peça preta ativa é a torre em a4, que sozinha não pode fazer nada.  A torre branca logo invadirá as linhas 7 ou 8, com ameaças terríveis.
            
Agora, conto o que aconteceu. Enquanto fazia essas ponderações, vislumbrei outra possibilidade. E se, ao invés de 36.c6,  eu jogasse 36.cxd6?  Depois de 36....  Tc1  37. d7, eu teria um peão a um passo de ser coroado, apoiado pelo bispo e protegido pelo peão de d5. Meu rei receberia alguns xeques, mas logo se abrigaria em d6. Tranquilo!
            
Com 02 opções, meu problema era decidir como ganhar. De  forma simples ou bonita?  Aquela capivara da primeira postagem logo se assanhou e soprou no meu ouvido: “- Se é para ganhar, que ganhe bonito! Você vai receber o prêmio de beleza do torneio”. Arregalei os olhos! Então:

36.cxd6  Tc1  37.d7

Pronto. Mas... e a dimensão tempo? Essa dimensão se manifesta quando um dos lados tem alguma vantagem transitória que precisa ser materializada antes que o adversário consiga se recompor. No caso presente, terei tempo de coroar meu peão?
            
Pois bem, tomei uma decisão baseada em uma avaliação geral da posição. Não fiz um mísero cálculo sequer.

37....  Ta3  38.Re2  Ta2  39.Re3  Te1  40.Rd4  Td1  41.Re5  Te2

Então eu me dei conta da besteira que fiz. 42.Rd6 não serve. 42.Rd6  Ted2  43.Rc7  Td5  44.d8 =D  Td8  45.Bd8  Td8  46.Rd8  a5.

Com o orgulho ferido e vendo meu título de Mestre Nacional descer  ralo abaixo, joguei mais uns lances antes de abandonar.

42.Rf5  Td5  43.Be5  Td7  44.Re6  Td8  45.Rf7  Te5  46.g6  Rh6  47.Brancas abandonam.

-x-x-x-x-

Vida que segue. Em janeiro/2020, fui jogar o Floripa Chess Open. Lá pelas tantas, enfrentei um adversário, que depois me procurou:

“-Tenho um amigo chamado Enzo”.

“-Enzo Federzoni? Conheço. Joguei como ele lá no Continental”.

Aí ele me fez uma revelação:

“-Ele disse que você pôs as mãos na cabeça e balbuciou baixinho: Marcello, Marcello, Marcello...”

Hã?? Não lembrava! Encabulado, tentei me justificar:

“-Fiz um sacrifício errado e perdi uma partida ganha...”      

Depois disso, sempre que nos encontrávamos no salão de jogos, lá vinha ele:

“-Marcello, Marcello, Marcello...”
“-Marcello, Marcello, Marcello...”
            
Putz! Desgraça pouca é bobagem!

Nota da Federação

A Federação Paraibana de Xadrez não promove e nem apoia qualquer modalidade de torneio (clássico, ativo, blitz), no território paraibano, enquanto permanecer suspensa essa atividade, em atenção ao que determina o Ministério da Saúde, Governo do Estado da Paraíba e Prefeitura Municipal de João Pessoa.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Clube de Xadrez Miramar

ATENÇÃO:
Amanha, sábado, o Clube de Xadrez Miramar, dirigido pelo MF Francisco Cavalcanti, não abrirá suas portas. Enquanto permanecer o Coronavírus, (Covid-19), as atividades naquele clube estarão suspensas. 

domingo, 15 de março de 2020

Decreto Municipal reforça adiamento do Bobby Fischer!

Em reforço aos motivos para o adiamento do Aberto do Brasil - IX Memorial Bobby Fischer, conforme comunicação efetuada hoje aqui no blog (link), informamos que a Prefeitura Municipal de João Pessoa emitiu hoje o Decreto 9.456/2020 de 15 de março de 2020, dispondo sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente da infecção humana pelo novo coronavírus (covid-19), cujo art. 3º estabelece que:

Eventos em massa (governamentais, esportivos, artísticos, culturais, políticos, científicos, comerciais, religiosos e outros com concentração próxima de pessoas), com público estimado igual ou acima de 250 pessoas para espaços abertos e 100 pessoas para espaços fechados ou em que a distância mínima entre as pessoas não possa ser de dois ou mais metros devem ser cancelados ou adiados. (os grifos são nossos).

ADIADO O XI MEMORIAL BOBBY FISCHER!

Em razão da pandemia do coronavírus que preocupa o mundo e agora o Brasil, medidas têm sido tomadas, como cancelamentos ou adiamentos de eventos empresariais governamentais, esportivos e culturais, para que se evite, o máximo possível, a aglomeração de pessoas, num esforço global para a contenção dessa pandemia, sob pena de colapso do sistema de saúde e, por conseguinte, do aumento de vítimas fatais do coronavírus.

As recomendações nesse sentido partem, por exemplo, da Organização Mundial de Saúde, do Ministério da Saúde do Brasil e do Governo do Estado da Paraíba, que decretou estado de emergência em saúde pública, em decisão publicada ontem no Diário Oficial do Estado. Além disso, há notícias jornalísticas de que, em reunião com sua equipe, o Governador da Paraíba teria determinado, como medida preventiva, o adiamento de atividades estatais que envolvam a aglomeração de mais de 100 pessoas.

Vê-se que tais recomendações, como uma medida de responsabilidade a ser replicada por todos, são perfeitamente aplicáveis aos torneios de xadrez, mais ainda em relação àqueles com muitos inscritos, e que geralmente são disputados em um ambiente fechado, com contato direto entre as pessoas, em face, por exemplo, do manejo recíproco das peças do jogo, potencializando-se, assim, o risco de contágio pelo coronavírus.

E nesse sentido, providências estão sendo tomadas em escala global, no universo do xadrez, como o cancelamento ou adiamento de grandes eventos, segundo se tem notícia, a exemplo do Aberto de Dubai, Aberto de Reykjavik e o Campeonato Paulista de Xadrez (que ocorreria neste final de semana). Ademais, a própria FIDE e a CBX recomendam tais medidas, a partir de comunicados oficiais em seus sites.

Assim, tendo em mente a responsabilidade que devemos ter com a integridade da saúde dos enxadristas e de seus familiares, e de maneira mais ampla com a sociedade como um todo, ante os esforços generalizados para se combater a pandemia do coronavírus, não restou outra decisão da FPBX, senão a de adiar o Aberto do Brasil - XI Memorial Bobby Fischer, que estava agendado para os dias 27, 28 e 29 do corrente mês de março, no Littoral Hotel, em João Pessoa (PB).

A nova data do evento está pré-agendada para os dias 13, 14 e 15 de novembro deste ano, em data em que se pleiteava a realização da 2ª edição do Aberto do Brasil, Memorial Machado de Assis (que, a princípio não ocorrerá neste ano) restando apenas a confirmação do Littoral Hotel, quanto à reserva dessa data, o que deve ocorrer nos próximos dias e será divulgado aqui, no blog Reino de Caíssa.

Os jogadores já inscritos no torneio poderão optar em manter sua inscrição para novembro, ou requererem a devolução da inscrição, pelos mesmos canais utilizados no ato da inscrição, o que, poderá ocorrer a qualquer tempo, inclusive no período de maior proximidade do torneio, em novembro, quando, eventualmente, poderão ter melhores condições de saber sobre a possibilidade de participação no evento.

No tocante à reserva de diárias já realizadas, no Littoral Hotel, aguarda-se a confirmação do mesmo quanto ao aproveitamento de tais reservas para o período informado, referente à nova data de realização do evento, em novembro.

No mais, a direção do torneio coloca-se à disposição dos interessados, nos canais disponibilizados pelo Regulamento do Torneio (link na coluna ao lado do blog), para outros esclarecimentos que se fizerem necessários.

Fernando Melo
Presidente da FPBX
Diretor do Aberto do Brasil - XI Memorial Bobby Fischer

segunda-feira, 9 de março de 2020

Desventuras de um Capivara I - O Pecado da Avareza

Por Marcello Urquiza

          Olá, caros leitores do Blog Reino de Caissa. Dia desses estive na casa do Mestre Fernando Melo e “me convidei” para divulgar alguns textos no blog. Argumentei que o Reino de Caissa era um canal já consolidado, muito importante para a divulgação do xadrez e que eu poderia dar minha contribuição. Convite aceito. Vamos à primeira tarefa.
      Analisarei algumas capivaradas que cometi. Por serem partidas próprias, tentarei descrever o processo mental que me levou a cometer tais erros. E, de quebra, talvez consiga exorcizar esse simpático animal que insiste em habitar meu espírito!
     Começo com a partida que joguei contra o MN Luiz Tomaz, na final do Campeonato Paraibano de 2019. Eu estava de brancas.
    Depois de 18. … - Dg4, seguiu-se 19. g3 – Ch5. (Diagrama abaixo).




    Apesar da quantidade de peças negras apontadas para o meu rei, entendi que minha posição era sólida, pois não existia sacrifício em g3 e que Cf4 era inútil. Posteriormente, o engine confirmou minha impressão e chegou a apontar 20. Db5 como melhor lance.
  Mas veja bem, caro leitor, eu estava jogando contra um adversário agressivo e com fino senso tático. Então meus olhos só viam a defesa. Por isso joguei:
            20. Cd2 …
 Fustigando a torre, para depois jogar Df3, com posição equilibrada. Mas eis que…
            20 … - Cxg3
   Tem boquinha não!! Vai ter sacrifício sim, senhor!
   E agora?? Sou obrigado a aceitar o sacrifício, mas tomar o cavalo com qual peão? Esse foi o meu dilema. O que você faria?  Enquanto você pensa, vou descrever o que se passou comigo.

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   Encontrei uma linha que refutava o sacrifício. Estava na minha frente, límpida. Mas tinha de ceder 02 peões pela peça. Aí, sem nenhuma análise concreta, fiz a seguinte analogia: ora, tenho de ceder 02 peões se tomo o cavalo por esse lado; pelo outro, dou apenas um. Então vou tomar pelo lado que cede menos. Olha como a avareza se manifestou. Seguiu:
            21. hxg3? - Te3!   22. Tae1 – Td3   23. Te8 – Bf8 e depois de alguns lances de esperneio, abandonei.

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   A essa altura você, caro leitor, já sabe que o correto teria sido tomar  o cavalo com o peão de f. E a linha completa? Já encontrou? Ei-la:
            21. fxg3 – Te3  22. Df5 – Tg3  23. Rh1!   Essa é a grande diferença em relação à outra variante. O rei tem esse abrigo, pois está protegido pelo peão h. Então seguiria 23. … - Df5  24. Cf5 – Tg6 e não há compensação suficiente pela peça.

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   Lá pelas 11:00, ainda curtindo a ressaca da derrota, mandei um zap para o Vice-presidente da FPBX, Genildo Gomes: “- Mestre, hoje fui vítima do pecado da avareza!”

sábado, 7 de março de 2020

Já passa de 100 !


Já estamos com 105 inscritos para a XI edição do Aberto do Brasil - Memorial Bobby Fischer, que começa na tarde do dia 27 (sexta feira), deste mês de março. As inscrições continuam abertas. Leia o REGULAMENTO. Na manhã do sábado, às 10 horas, no local dos jogos, teremos palestra sobre Xadrez e Literatura, sob nossa coordenação. Todos estão convidados, inclusive interessados e que não vão participar do torneio. .

quarta-feira, 4 de março de 2020

Torneio Mem. MI Ruth Cardoso

No próximo dia 14 (sábado), às 15 horas, no Clube de Xadrez Miramar, será realizado o Torneio Memorial Ativo MI Ruth Cardoso (1934-2000). Serão 6 rodadas com o tempo de 15 minutos, nocaute. Os oito primeiros colocados receberão medalhas e medalha para a Melhor Feminino. 
Como estamos no mês de março, esse evento faz parte das comemorações do Ano Internacional da Mulher, e nada melhor do que lembrar o nome da baiana  Ruth Cardoso, a primeira MI brasileira.

A inscrição é de 40 reais para não sócios, 25 para sócios e 20 reais para a participante feminina. A direção está a cargo do MF Francisco Cavalcanti



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domingo, 1 de março de 2020

Torneio Capablanca

Foi realizado ontem no Colégio TOP, nos Bancários, mais uma edição do Torneio Ativo Memorial Capablanca. Veja tabela ao lado dos melhores classificados. A arbitragem foi do AR Ivanilson Pereira.

Notícias do XI Bpbby Fischer

      CHEGA A 87 O NÚMERO DE INSCRITOS NO XI EDIÇÃO DO TORNEIO ABERTO DO BRASIL - MEMORIAL BOBBY FISCHER. FALTAM 26 DIAS PARA O SEU INÍCIO. LEIA O REGULAMENTO.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Tá chegando a hora!

AGORA ESTA FALTANDO EXATOS 30 DIAS
 PARA COMEÇAR
 A XI EDIÇÃO DO ABERTO DO BRASIL
- MEMORIAL BOBBY FISCHER 2020.