terça-feira, 1 de março de 2016

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 10 dias!

Na sequência da sua obra sobre Fischer, Kasparov lembra que o americano não jogou o Interzonal de 1964... o que causou perplexidade geral. Afinal, no Congresso da FIDE a USA Chess Federation tinha obtido o que ele defendera com fervor: a troca do Torneio de Candidatos por uma série de matches individuais. (...) O próprio Bobby explicou sua recusa da seguinte forma: “Eu nunca pretendi jogar qualquer match! Eu concordei somente com um match final!”
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Em dezembro [de 1965] Fischer venceu o Campeonato dos EUA pela sétima vez (e se classificou para o Torneio Interzonal), mas não de forma tão convincente como anteriormente. Após um início brilhante (6(1/2) em 7!) ele sofreu duas derrotas seguidas – contra Robert Byrne e Reshevsky. Bobby não perdera tantas partidas em todos os Campeonatos precedentes! E Reshevsky não o vencia desde o match de 1961. O resultado final foi 1. Fischer – 8(1/2) pontos em 11; 2-3. Robert Byrne e Reshevsky – 7(1/2) etc.
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Um verdadeiro teste de resistência para Fischer foi a Copa Piatigorsky – o supertorneio em duplo turno em Santa Mônica (julho-agosto de 1966). (...) Como sabemos, Bobby se recusou a participar da primeira Copa Piatigorsky (1963) devido ao escândalo em seu match com Reshevsky. Mas nessa ocasião ele deixou a raiva de lado e graças à sua participação o interesse nesse torneio de Grandes Mestres (uma grande raridade naquela época) foi especialmente aguçado. 

Dez experientes lutadores estavam competindo, e efetivamente definiriam a questão: quem é o melhor jogador do torneio? Afinal, em Santa Mônica estavam o então Campeão Mundial Petrosian, seu adversário recente Spassky, e as esperanças do xadrez Ocidental – Fischer e Larsen... A excitação  geral também foi agitada pelo prêmio sem precedentes do torneio – 20.000 dólares!
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Após a 16ª rodada, na qual Bobby arrasou Najdorf espetacularmente, o delírio dos espectadores era absoluto: seu herói tinha conseguido alcançar Spassky e agora era uma luta de braço-de-ferro (...). A trama do torneio alcançou o seu auge: na rodada seguinte os líderes tinham que se enfrentar.

“Quando Fischer começou sua partida com Spassky, o salão estava explodindo de espectadores, antecipando a ‘batalha do século’”, escreve Koltanowski. “Eles estavam comprimidos ao longo das paredes e ao redor das colunas, sentados no chão, em pé nas cadeiras... Aqueles que não conseguiam entrar no salão ficavam em fila no vestíbulo atrás da barreira de cordas, com a esperança de que alguém pudesse sair e deixasse-lhes um lugar.
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Empate! Apesar da sua pressão fenomenal e desejo de vencer, Fischer não conseguiu o impossível...”

Tudo foi decidido na última rodada. Bobby não conseguiu derrotar Petrosian com as pretas, enquanto Spassky venceu contra Donner e se tornou  o primeiro Grande Mestre soviético a receber o prêmio de 5.000 dólares. Aqui está a contagem final: 1. Spassky – 11(1/2) pontos em 18; 2. Fischer – 11; 3. Larsen – 10; 4-5. Portish e Unzicker – 9(1/2); 6-7. Petrosian e Reshevsky – 9; 8. Najdorf – 8; 9. Ivkov – 6(1/2); 10. Donner – 6. Essa foi a última vez que Fischer permitiu alguém terminar à sua frente. A partir de então ele somente tomaria os primeiros lugares! [grifo do RC]

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

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